Um coquetel molotov foi atirado hoje contra a casa onde Aung San Suu Kyi morou durante 15 anos em prisão domiciliária, anunciou um porta-voz do governo de Myanmar.

"Tratou-se de um coquetel Molotov", confirmou à France Press um porta-voz do governo, acrescentando que a conselheira de Estado não se encontrava na residência no momento do atentado.

Aung San Suu Kyi, prémio Nobel da Paz em 1991, tem sido fortemente contestada pela comunidade internacional pela maneira como o seu governo tem tratado os muçulmanos da minoria rohingya.

Segundo dados recentes, quase 900 mil muçulmanos rohingyas vivem em condições deploráveis em acampamentos no sul do vizinho Bangladesh, para onde fugiram devido à repressão dos militares birmaneses.

A comunidade internacional, sobretudo a ONU, tem exortado Aung San Suu Kyi a terminar com as perseguições à minoria muçulmana, frequentemente descritas como uma “limpeza étnica”.

Myanmar não reconhece a cidadania aos rohingya, que considera imigrantes bengalis, e sujeita-os a diferentes tipos de discriminação, incluindo restrições à liberdade de movimentos.

Crise dos rohingya tem "características de genocídio"

O enviado especial das Nações Unidas para os direitos humanos em Myanmar considerou hoje que as operações violentas dos militares contra os muçulmanos de origem rohingya têm “características de um genocídio".

Yanghee Lee disse aos jornalistas, em Seul, que não poderia fazer uma declaração definitiva sobre o genocídio até que um tribunal ou um tribunal internacional credível provasse a evidência, mas sublinhou: "Estamos a ver sinais e está a caminhar nesse sentido”.

Respondendo a uma pergunta sobre um relatório divulgado pela Associated Press que detalha um massacre e a existência de pelo menos cinco valas comuns na aldeia de Gu Dar Pyin, em Myanmar (Birmânia), Lee disse que, embora não tivesse detalhes específicos na aldeia, podia verificar-se que se tratava de “um padrão”, que surgiu na perseguição aos Rohingya.