Bernardo tinha onze anos. Em Janeiro procurou a justiça brasileira para pedir uma «nova família», porque a que tinha não gostava de si. Vivia com o pai e a madrasta, desde que a sua mãe se suicidara em 2010. Contou até que o tinham tentado matar e que achava que ia morrer. Foi assassinado nos primeiros dias e abril. O caso está a chocar o Brasil.

Uma assistente social, o pai e a madrasta, que já confessou o crime, estão em prisão preventiva. A assistente social confessou que recebeu cerca de oito mil euros para ajudar a madrasta. Foi morto dia 4 de abril e o seu corpo encontrado dez dias depois. A família deu conta do desaparecimento de menino. Foram feitas buscas e lançados alertas.

A descrição do crime feita pelos jornais brasileiros é impressionante. O menino foi levado pela madrasta para um suposta consulta. Acabou no meio de uma mata a ser injetado com elevadas doses de um anestésico. As autoridades não têm a certeza de que o menino já estava morto quando foi enterrado. Para uma rápida decomposição a madrasta terá coberto o corpo com soda cáustica. O buraco onde foi enterrado tinha sido feito uns dias antes.

A magistrada do Ministério Público que ouviu o menor em janeiro, assume que partilha alguma culpa pelo sucedido, mas diz que cumpriu a lei, quando foi dada uma segunda oportunidade à família. Uma família vista como «exemplar» pela sociedade. O pai era médico, conceituado na região onde viviam, e a madrasta enfermeira.

O crime deixou o Brasil em choque e todos apontam o dedo a alguém. Familiares, amigos, justiça. Certo é que ninguém fez nada e Bernardo morreu. Aliás, o caso de suicido da mãe de Bernardo, ocorrido em 2010, vai ser reaberto pelas autoridades.