Jean-Pierre Adams tinha 34 anos quando foi submetido a uma cirurgia a um joelho. No dia 17 de março de 1982, entrou pelo próprio pé num hospital de Lyon, sem saber que veria a vida virada do avesso por causa de um erro médico relacionado, que o deixou num estado vegetativo.

Foi num dia de greve no hospital e o anestesista estava a cuidar de oito pacientes. Encarregou uma interna do caso de Jean-Pierre. A mesma interna que admitiria, mais tarde, em tribunal, que não estava à altura da tarefa. Jean-Pierre terá sido mal entubado e ficou sem oxigénio. 

Jean-Pierre entrou em coma. Nunca mais andou, nunca mais falou, nunca mais mexeu um músculo de forma voluntária.

Passou 15 meses no hospital, até Bernardette achar que cuidaria melhor dele e o ter levado para casa. É assim a sua vida há 36 anos, sem que Bernardette, o grande amor da sua vida, tenha alguma vez saído do seu lado.

Sou, ao mesmo tempo, enfermeira, cuidadora, médica e fisioterapeuta”, resume Bernardette à FranceInfo, que assinalou os 70 anos do craque, que ficou conhecido como o “Gigante Adormecido”.

Jean-Pierre completou 70 anos a 10 de março. Bernardette passou os últimos 36 à sua cabeceira. Costuma ler para ele. “Ele entende, tenho a certeza. Não diria que compreende, pelo menos não de imediato, mas vejo os seus lábios a mexerem-se”, conta.

Uma história de amor com quase 50 anos

Bernardette e Jean-Pierre casaram-se em 1969, um ano antes de o jogador ter assinado pelo Nîmes Olympique. Nos 11 anos seguintes, ainda havia de passar pelo Nice e pelo PSG.

Pendurou as chuteiras em 1981. Tinha então 33 anos. Decidiu tornar-se treinador e ensinar o que sabia aos jovens. Em março de 1982, fez um curso intensivo de três dias, em Dijon, para aspirantes a treinador de futebol, onde se lesionou no joelho. A lesão que o atirou para a mesa de cirurgia.

Bernardette não ignora a carreira de sucesso que ficou atrás do coma: “O Futebol deu-me tudo e tudo me tirou.”

Aquando da cirurgia, o casal já tinha filhos. Agora já tem netos. Ninguém sai de perto do marido, do pai e do avô

Ninguém se esquece de dar um presente ao Jean-Pierre, seja nos seus anos, no Natal ou no Dia do Pai”, assegura a mulher, em declarações à CNN.

 

Compramos-lhe uma T-Shirt ou um pijama, porque eu visto-o na cama e mudo-lhe a roupa todos os dias. Compro-lhe coisas para lhe alindar o quarto, como lençóis bonitos ou algum perfume. Ele costumava usar Paco Rabanne, mas o seu favorito deixou de ser produzido, então, eu compro-lhe o Sauvage, da Dior.”

Agora, Bernardette tem uma única preocupação: “E se eu morrer antes dele?”.