Notícia atualizada às 17:25
 
A polícia encontrou, esta segunda-feira, três mortos perto da estação de comboios de Wilderswil, no Cantão de Berna.
 
As primeiras informações, de acordo com o site de notícias suíço 20minutes, indicavam que um homem teria matado a mulher e o filho antes de se suicidar.
 
No início da tarde, o jornal Tages Anzeiger, avançou que se tratava de um drama familiar no seio da comunidade portuguesa: um casal separado há vários anos e a mulher tinha voltado a casar há cerca de dois meses, facto que não agradou ao ex-marido. Uma conhecida da mulher citada pelo jornal disse que esta estaria a ser ameaçada há algum tempo pelo ex-marido.
 
O coordenador local do Conselho das Comunidades Portuguesas, Manuel Beja, confirmou à Lusa que as vítimas são portuguesas. «Está confirmado que são portugueses», disse, acrescentando que as três vítimas mortais tinham entre 40 e 50 anos. O casal deixa três filhos, com idades entre os sete e os 18 anos, precisou Manuel Beja.
 
O porta-voz da polícia, Ramona Mock, disse que os agentes descobriram três corpos perto da estação ferroviária, um estava num carro e os outros dois na proximidade do veículo.
 
Deduz-se que os tiros tenham começado por volta das 07h00 (hora local). A imprensa suíça relata a investigação forense realizada no hotel Jungfrau, localizado a cerca de 200 metros do estacionamento da estação.

«Havia uma disputa feroz pela tutela do filho» 

A meio da tarde, a TVI24 falou com Adelino Sá, diretor da Gazeta Lusófona, que explicou que o emigrante português foi motivado pela perda da tutela do filho de seis anos. «Havia uma disputa feroz pela tutela do filho, que foi a mulher que ganhou», explicou Adelino.
 
Ainda não se sabe o nome do indivíduo, mas o diretor do jornal adiantou que os três mortos eram provenientes da zona das Caldas da Rainha. A mulher, Lídia, trabalhava numa lavandaria e para além do filho de seis anos, tinha ainda duas filhas de outro casamento: Diana e Ana.
 
O agressor ainda tentou ir atrás da ex-enteada mais velha, de 18 anos, acrescenta Adelino Sá. O português começou por matar o casal na rua, tendo em seguida ido à casa a fim de matar também a adolescente, mas esta conseguiu esconder-se.
 
Ainda segundo a fonte, a polícia já sabia de distúrbios nessa família. A ex-mulher do autor do crime voltara a casar-se recentemente com Jerónimo, que emigrara para a Suíça há cerca de ano e meio.

A presidente da junta de freguesia do Nadadouro, no concelho das Caldas da Rainha, disse à Lusa que ainda não recebeu qualquer pedido de apoio por parte de familiares ou entidades oficiais, mas está disponível para ajudar. «Os homens envolvidos no caso são daqui da freguesia», confirmou Maria Alice Pedro. 

Um familiar de uma das vítimas mortais, o atual companheiro da mulher, confessou à mesma agência que «a família foi apanhada de surpresa e nunca esperou que isto pudesse acontecer», apesar de o alegado homicida «há vários anos fazer ameaças telefónicas à mulher». O alegado homicida seria «amigo» do homem que agora alegadamente baleou e terá sido ele «quem o levou para a Suíça», há vários anos.

Para além das três crianças que viviam com o casal encontrado morto, o atual companheiro da mulher deixou, segundo o mesmo familiar, «um filho de dez anos, que vive com a mãe [anterior mulher] noutra zona da Suíça» e que «já está a ter acompanhamento psicológico».

Estado português garante apoio aos órfãos

O caso está a ser acompanhado pelo Governo português, que já deixou a promessa de apoiar os três filhos, agora órfãos, se eles precisarem. 

«Se forem portugueses, e se tiverem de vir para Portugal, (…) teremos de os apoiar, quer lá [na Suíça], quer depois cá», disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

«O que sei não é muito», indicou José Cesário. «Para já, estamos a aguardar pelas informações da polícia, [sobre] exatamente quem eles são, se estavam lá há muito tempo, há pouco tempo, se há só nacionalidade portuguesa ou se também há nacionalidade suíça, tudo isto tem relevância. Ainda não tenho estas informações». «Que têm nacionalidade portuguesa, têm, disso não há dúvida nenhuma», confirmou. 

O tiroteio ocorreu entre as 7h e as 7h30 locais (menos uma hora em Lisboa), próximo de uma escola e de uma estação de comboios. No local estão várias viaturas da polícia e duas ambulâncias, tendo sido montado um perímetro de segurança.