A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente Joachim Gauck juntaram-se às milhares de pessoas que se manifestaram em Berlim numa concentração pró-tolerância em homenagem à memória das vítimas dos ataques em Paris.
 
A cerimónia, convocada por organizações muçulmanas contra a islamofobia, decorreu junto à porta de Brandeburgo, na capital alemã, e passou em direto na televisão alemã, numa emissão intitulada «Alemanha é Charlie».
 
 
Para além de Merkel e Gauck, marcaram presença muitos outros membros da elite política germânica, entre eles um dirigente muçulmano alemão, que colocou uma coroa de flores em frente à embaixada francesa, naquela que se chama, precisamente, Praça de Paris. «Terrorismo: Não em nosso nome», lia-se na inscrição.

«Os terroristas não venceram e nunca vencerão», afirmou o presidente do Conselho Central dos Muçulmanos de Alemanha, Aiman Mazyek, antes de se fazer um minuto de silêncio em memória das 17 vítimas mortais dos atentados em França.

«Os terroristas queriam vingar o profeta? Não! Pelos seus atos, eles cometeram a maior das blasfémias», acrescentou sob o cenário das cores da bandeira francesa — azul, branco e vermelho —projetadas na Porta de Brandeburgo.

 

No final da concentração pela tolerância, foi a vez de o  chefe de Estado alemão se pronunciar.

 «Somos todos a Alemanha — nós, democratas, com as nossas diferentes raízes políticas, culturais e religiosas — nós, que respeitamos e precisamos uns dos outros».


Também esta terça-feira, a chanceler afirmou que o seu o governo irá usar todos os meios à sua disposição para lutar contra a tolerância e discriminação. Uma postura que surge no dia a seguir à manifestação em Dresden, que juntou vinte e cinco mil pessoas em protesto contra o Islão.
 
Uma convocatória do movimento Pegida -Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente- que desde outubro encabeça e organiza concentrações anti-Islão naquela cidade no leste da Alemanha.