Uma exposição em Berlim dedicada a mártires gerou polémica, ao incluir um dos responsáveis pelo ataque ao Bataclan e um dos terroristas do 11 de setembro. A exposição abriu na passada quarta-feira, no centro de arte Kunstquartier Bethanien.

O Museu do Mártir tem em exposição o retrato e uma pequena biografia de 20 pessoas por todo o mundo que morreram pelas suas convicções, entre elas Martin Luther King e o filósofo grego Sócrates.

Junto a estas personalidades surgem duas que causaram controvérsia.

Uma delas é a imagem do jihadista francês Ismael Omar Mostefai, um dos três bombistas suicidas que atacaram o Bataclan, em Paris, em 2015, matando dezenas de pessoas que assistiam a um concerto.

A outra é Mohammed Atta, o terrorista que provocou o embate do avião contra uma das torres do World Trade Center, em Nova Iorque, no dia 11 de setembro de 2001.

A escolha dos artistas provocou discussão nos media e redes sociais alemães e franceses.

A embaixada francesa em Berlim mostrou-se extremamente chocada com a decisão artística.

“Apesar de termos em consideração a liberdade de criação artística, nós condenamos a confusão que está aqui a ser feita entre martírio e terrorismo”, disse a embaixada num comunicado, citada pelo The Guardian.

Os autores vieram defender a exposição, garantindo que condena quaisquer atos de violência e terrorismo, mas que estão a ser abordadas várias perspetivas do uso do termo mártir. Os artistas dizem que nenhuma das personalidades escolhidas foi apontada por eles como mártires, mas foram assim consideradas por um estado, uma religião ou uma organização.

As autoridades de Berlim distanciaram-se do projeto, assegurando que não o apoiam nem concordam com o mesmo.