pub

Ler a última notícia

Berlim e um muro que estava a mais (1ª parte)

Capital alemã comemora os 20 anos da queda da barreira que a separou durante 28

Por: Hugo Beleza  |  9- 11- 2009  9: 0

Comentários
Berlim: «Queda do Muro - 20 anos depois»

O porta-voz do politburo do Partido Socialista da Unidade da Alemanha falava há já cerca de uma hora, durante uma enfadonha conferência de imprensa, quando o correspondente da agência italiana Ansa, Riccardo Ehrman, o questionou sobre um tema sensível: a liberdade de viajar para os alemães de Leste. Foi nessa altura, quando muitos repórteres já tinham abandonado a sala, que Günter Schabowski transformou a noite de 9 de Novembro na mais importante da história germânica recente. «Decidimos hoje... hum... implementar uma regulação que permite qualquer cidadão da República Democrática da Alemanha... hum... deixar a Alemanha de Leste por qualquer um dos postos fronteiriços», disse o porta-voz.

O relato desta declaração histórica de Schabowski é do jornalista da Reuters Volker Warkentin. O relógio, recorda, marcava 18:53. Depois de ter ouvido da boca do responsável comunista que a medida tinha efeitos «imediatos», correu para o escritório da agência. «ALEMÃES DE LESTE AUTORIZADOS A PARTIR PARA A ALEMANHA OCIDENTAL COM EFEITO IMEDIATO - DISSE SCHABOWSKI». Foi com este despacho de alerta que Warkentin se tornou o primeiro a dar a notícia. Daí a dois minutos, a informação começava a ser difundida em larga escala. Pouco depois, Berlim Leste desfilava para os postos de controlo e para o muro. Saber-se-ia, posteriormente, que Günter Schabowski se precipitara. As alterações só deveriam ter sido comunicadas no dia seguinte e as regras permitiriam a saída do território, mas apenas após a concessão de um visto.

Demasiado tarde. A decisão pretendida sufocara entre as hesitações da declaração do porta-voz, num anúncio feito demasiado cedo. Demasiado cedo do ponto de vista do politburo. Demasiado tarde para quem vivera 28 anos numa cidade dividida, com um muro a mais. Milhares de berlinenses reivindicaram o direito de passagem nessa noite.

Os guardas fronteiriços, habitualmente com ordens para disparar, mas sem ordens muito claras nessa altura sobre o que fazer com a informação que rebentara nas rádios e televisões, pouco antes, acabaram por não conter a corrente. Como numa barragem saturada, abriram-se as comportas. Sem disparos das torres de vigia, sem cães, sem electricidade nas vedações. Os berlinenses dos dois lados da fronteira abraçavam-se. Maior parte, perfeitos desconhecidos. Mas como se esperassem pelos braços uns dos outros toda a vida. A 3 de Outubro, um abraço mais longo reunificaria a Alemanha.

Barreira «anti-fascista»

Um salto no tempo. Antes da claustrofobia total, na Alemanha de Leste, envolvida pela esfera soviética, Berlim era a cidade símbolo do pós-guerra. Talhada em quatro sectores de influência: norte-americano, britânico, francês e soviético. Os vencedores tinham, inicialmente, o objectivo de reunificar a Alemanha. Mas um novo conflito, a Guerra Fria, congelou o projecto. A debandada iniciou-se. Calcula-se que até três milhões de alemães terão passado para o Ocidente. Berlim tornou-se uma espécie de enclave, envolvido por quase meio milhão de soldados do exército vermelho. Era uma porta no coração do Leste aberta para o outro lado. Na noite de 12 para 13 de Agosto de 1961 essa porta fechou-se.

Três dias depois, no decalque do arame farpado, ergueu-se um extenso muro, a que o líder alemão de Leste de então, Walter Ulbricht, chamaria «a barreira de protecção anti-fascista». O regime tentou suster a fuga com 3,6 metros de altura de betão ao longo de dezenas de quilómetros. Logo no dia 15, Conrad Schumann, um jovem soldado, tornou-se no primeiro fugitivo. Só se deixou apanhar pelas câmaras, que fixaram para a história o momento. Quatro dias depois, o muro faria a primeira vítima. Os números negros de quase três décadas não são consensuais. A Fundação Muro de Berlim aponta 136 mortos. Mas há quem refira que foram mais de duas centenas os que morreram a tentar chegar ao Ocidente.

Continuação

Estamos no Facebookmais aqui

Plano de
Lisboa
A carregar...

Programação - Semana de 12 de Fevereiro a 18 de Fevereiro

Toda a programação »

Media Capital | Prisa Media Capital Prisa