A Federação Venezuelana de Licores (FVL) solicitou uma reunião ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com o intuito de arranjar uma solução para a escassez de cerveja no país.

De acordo com a Unión Radio, o diretor da FVL, Fray Roa, salientou que sete dos 24 estados já têm a bebida em falta.

“Ficámos sem cerveja, aumentaram os impostos e reduziram os lucros. Isto para o nosso setor é um fecho total e uma crise fatal. Há sete Estados que já não recebem cerveja devido à crise”, explicou o diretor.

“Só o diálogo com o Presidente [da República, Nicólas Maduro] e o Vice-Presidente [Jorge Arreaza] pode solucionar este problema. A partir do dia 03 do próximo mês [agosto] muitas empresas vão encerrar”, acrescentou.


Fray Roa demonstrou preocupação com a situação do setor e com a incapacidade do mesmo em responder à procura de cerveja para os próximos meses, assim como o facto de “400 mil empregos fixos diretos e um milhão de empregos indiretos” estarem sob risco.

Segundo um estudo da consultora Bonial, a Venezuela está em 8º lugar entre os dez países com maior consumo de cerveja no mundo, sendo que cada venezuelano consome anualmente 85,5 litros.

Desde 2003 que vigora na Venezuela um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga os empresários a pedir às autoridades para ter acesso a dólares para pagar as importações.

Os empresários queixam-se de dificuldades e atrasos na entrega dos recursos necessários para cumprir os compromissos internacionais.

A Unión Radio noticia ainda que o setor produtor de cerveja deve mais de 217 milhões de dólares (197 milhões de euros) a fornecedores estrangeiros.

“As previsões são muito negativas considerando que não há matéria-prima para a cerveja, as divisas não estão a ser liquidadas e o mais provável é que não hajam muitos produtos no mercado”, declarou o presidente da Associação de Licores de Caracas, Carlos Salazar.


Mas não é só a cerveja que está em falta no país. O controlo de alimentos e outros bens essenciais está também mais rígido, o que obriga os consumidores a comprar os produtos em grandes quantidades enquanto estão disponíveis.

Devido à queda dos preços do petróleo, o Estado conta com poucas divisas em espécie para importação de matéria-prima. Leite, arroz, açúcar, massa, farinha e azeite são alguns dos bens que podem não estar presentes nas prateleiras dos supermercados.