O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu esta segunda-feira desculpa por ter considerado «perigosa» a elevada participação dos árabes-israelitas nas legislativas da passada terça-feira.

«Eu sei que as minhas declarações podem ter ofendido alguns cidadãos israelitas e membros da comunidade árabe-israelita. Nunca foi minha intenção. Peço desculpas por isso», afirmou Benjamin Netanyahu.


O pedido de desculpas, transmitido na televisão, foi feito durante um encontro com árabes-israelitas em Jerusalém.

A semana passada, durante um apelo ao voto, Benjamin Netanyahu afirmou que o «poder estava em perigo», porque os eleitores árabes estavam a participar ativamente no escrutínio.

O líder da lista árabe, Ayaman Odeh, que obteve o resultado histórico de 13 lugares no parlamento israelita, rejeitou o pedido de desculpas de Benjamin Netanyahu.

«Não é aceitável, porque Netanyahu não só planeia fazer aprovar leis racistas, como as suas declarações desafiam o direito básico dos árabes-israelitas de votar no Knesset (parlamento)», afirmou Ayaman Odeh.


Ayaman Odeh afirmou também que o pedido de desculpas não é sincero, porque não convidou os representantes legítimos daquela comunidade, que obteve mais de 90 por cento dos votos dos árabes-israelitas.

As declarações do primeiro-ministro israelita foram também criticadas pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, que afirmou que aquele tipo de retórica é contrário à tradição israelita.

Segundo a imprensa israelita, os árabes-israelitas recebidos por Benjamin Netanyahu fazem parte de uma minoria que apoia o Likud, partido do primeiro-ministro.

Os árabes-israelitas descendem de 160.000 palestinianos que ficaram nas terras onde foi criado o Estado de Israel em 1948 e representam cerca de 20 por cento da população israelita.