A empresa ferroviária nacional belga SNCB está a cobrar uma multa no valor de 19 mil euros à família de uma jovem que foi atropelada por um comboio, em 2014, na estação de Groenendaal, a cerca de 15 quilómetros de Bruxelas, quando tirava selfies num local proibido perto de trilhos.
 
A mãe da jovem, Carla Claeys, afirma que a empresa enviou uma carta em novembro, onde explicava que, de acordo com a lei, os pais seriam os responsáveis pelos danos causados no acidente provocado por Charlotte Nuñez, uma vez que ela era menor de idade.
 
A família foi novamente contatada em agosto, através de uma carta, onde a empresa apresentava detalhadamente todos os gastos do acidente, incluindo o valor da evacuação de 200 passageiros e a suspensão do tráfico ferroviário durante cerca de seis horas e meia. 
 
Os pais da jovem não terão de pagar a multa porque têm um seguro familiar que cobre danos contra terceiros. No entanto, não deixaram de reprovar a forma como a SNCB lidou com a situação.
 
"Quando recebe uma carta como esta, que tem a lista de todos os gastos causados pela morte da sua filha, é um duro golpe. Eles não devem ter filhos para serem capazes de fazer uma coisa destas", disse Claeys num jornal local.
 
Apesar da jovem ter falecido em 2014, o caso voltou a ganhar destaque depois do deputado belga, David Geerts, criticar, no Parlamento, o procedimento da SNBC.
"Como se pode ignorar o impacto emocional de uma carta desse tipo? Em vez de enviar uma fatura dos gastos, teria sido melhor mostrar empatia", defendeu.
 
A empresa ferroviária não comentou o caso.