É uma das viagens mais perigosas do mundo. Sair de Beirute, na Líbia, em direção a Raqqa, na Síria, passando por Damasco e Palmira, o coração do Estado Islâmico.

Apenas nove pessoas compraram o bilhete de autocarro para esta viagem, entre Beirute, no Líbano, e Raqqa, na Síria, conscientes de que podem ter comprado um bilhete para a morte, como descreve o editor de internacional da CNN, Nick Paton Walsh, na reportagem emitida esta sexta-feira. 

Aquela que já foi, durante anos, uma viagem normal entre os dois países, tornou-se uma aventura nos últimos anos, com a guerra civil e com a presença do Estado Islâmico.

Pelo caminho, há sempre o perigo de um avião deitar uma bomba sobre o autocarro ou deste ser atacado por atiradores, escondidos sabe-se lá onde. O veículo mostra alguns vidros partidos.

Chegados ao território do Estado Islâmico, é preciso passar pelo crivo dos jihadistas para poder entrar. O Estado Islâmico baniu o tabaco, a bebida, a música. Os homens têm de ter a barba grande e as mulheres só podem viajar acompanhadas e vestidas de acordo com as suas regras, caso contrário, serão enviadas para campos de treino.

O grupo de passageiros com quem a CNN falou preferiu não ser identificado e não quis revelar a identidade. Tinha como fim levar o corpo de um familiar, vítima de ataque cardíaco, de regresso a Raqqa, a sua terra natal.

Antes da partida, os homens fumam os últimos cigarros, para depois passarem perfume pelos dedos para disfarçar o cheiro do tabaco. Apagam-se as músicas e os contactos dos amigos ou de nomes suspeitos do telemóvel.

A viagem de 400 quilómetros que dura 24 horas, começou com um dia de atraso, devido às burocracias com a trasladação do corpo.

No regresso, o autocarro vem sempre sujo e vazio. O Estado Islâmico raramente deixa sair alguém do seu território.