Cerca de 90 milhões de casais chineses estarão elegíveis para ter um segundo filho a partir do próximo ano, à medida que a política de filho único for abolida. A estimativa é avançada esta sexta-feira por um jornal oficial chinês.

A decisão de acabar com a política do filho único foi anunciada na quinta-feira após uma reunião de quatro dias à porta fechada entre o Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC), a cúpula do poder na China, e que serviu para delinear as prioridades do 13.º plano quinquenal (2016-2020).

Na prática, esta decisão significa um alargamento da flexibilização da política de filho único, iniciada em 2013 e que permitia aos casais em que ambos os cônjuges são filhos únicos terem uma segunda criança.

A lei do filho único estava em vigor há mais de 30 anos. 

Entretanto, o secretário para a Alimentação e Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man, disse que é cedo para concluir se a abolição vai aumentar o número de partos de mulheres chinesas na região.

Ko Wing-man afirmou que a política do governo de Hong Kong, de não aceitar marcações de mulheres não locais nas maternidades vai continuar em vigor e que as restrições sobre a exportação de leite em pó para bebés vão também ser mantidas, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK).

O governo norte-americano já reagiu à medida do governo chinês, considerando que a decisão é "um passo positivo", acrescentando que espera que o país um dia exclua "por completo" os limites ao número de filhos por casal.

Os Estados Unidos opõem-se a "políticas coercivas de limitação da natalidade, incluindo práticas de aborto forçado e esterilização", explicou, em conferência de imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.
O secretário para a Alimentação e Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man, disse esta sexta-feira que é cedo para concluir se a abolição da política de filho único na China vai aumentar o número de partos de mulheres chinesas na região.

A China é o país mais populoso do mundo com 1.370 milhões de habitantes.