O parlamento russo autorizou o seu Presidente, Vladimir Poutin, a recorrer à força militar no estrangeiro, nomeadamente ataques aéreos na Síria, anunciou o Kremlim nesta quarta-feira.

“O Conselho da Federação decidiu por unanimidade apoiar o pedido do Presidente. Estamos a falar da Síria”, disse Sergei Ivanov em declarações televisivas.

A autorização surge após o pedido do Presidente russo aos senadores de uma autorização para usar um contingente militar no estrangeiro, dado que a Rússia se encontra em manobras diplomáticas e militares relativamente ao dossiê sírio.

Entretanto, segundo a France Presse, a Rússia já realizou um ataque aéreo peto de Homs, na Síria.

Putin pediu ao Conselho da Federação, a câmara alta do parlamento, “autorização para recorrer a um contingente de Forças Armadas russas fora do território russo”, indicou o Kremlin, em comunicado.

Por outro lado, o Presidente sírio, Bashar al-Assad, pediu hoje ajuda militar à Rússia, de acordo ainda com Sergei Ivanov.

Assad “apelou ao líder do nosso país ajuda militar”, disse o chefe de gabinete do Kremlin, depois de os senadores russos terem dado a sua aprovação unânime para permitir que as Forças Armadas para realizar ataques aéreos na Síria, como havia sido solicitado pelo Presidente russo, Valdimir Putin.
 

Elevado número de civis mortos na Síria impulsiona crise de refugiados


Um quarto dos mais de 200.000 civis mortos no conflito sírio desde 2011 eram mulheres e crianças e o elevado número de não combatentes mortos impulsionou a crise dos refugiados, conclui um estudo hoje divulgado.

A proporção e a causa destas mortes diferiram consoante as áreas – controladas pelo Governo ou pelos rebeldes –, adianta o estudo, publicado pelo British Medical Journal.

Nas zonas governadas pelo regime do Presidente Bashar al-Assad, 23% dos civis que morreram eram crianças. Nas áreas controladas pelo autoproclamado Estado Islâmico ou outros grupos radicais da oposição, o valor correspondente foi de 16%.

O contraste é mais agudo no que toca à causa da morte: três quartos das crianças que morreram em zonas do país controladas por grupos armados que não são do Estado foram vítimas de bombardeamentos, incluindo aéreos, a maioria efetuados por forças do regime.

Nas zonas controladas pelo Governo, dois terços das fatalidades infantis foram causadas por bombardeamentos, mas não aéreos.

“O Governo e as fações rebeldes na Síria argumentam habitualmente que os alvos das suas bombas são bastiões de inimigos combatentes, no entanto concluímos que estas são as armas que mais frequentemente matam crianças sírias”, aponta o estudo.

Não se sabe até que ponto as crianças são deliberadamente alvos ou se são apenas um “dano colateral”, adianta.

O estudo, dirigido por Debarati Guha-Sapir, um investigador de epidemiologia de desastres da Universidade Católica de Louvain, em Bruxelas, é o primeiro a analisar o impacto de várias armas em diferentes categorias de civis na guerra da Síria.

“Encontrámos provas de que as crianças e as mulheres têm mais probabilidade de morrerem atingidas por explosivos ou armas químicas, em relação a tiroteios e comparando com homens civis”, indica o estudo.

Um relatório da ONU revela que, entre março de 2011 e abril de 2014, confirmaram-se 191.369 mortes violentas na Síria, entre combatentes e civis.

“O nosso estudo mostra que os civis se tornam o alvo principal de armas e arcam com uma parte desproporcional do fardo dos bombardeamentos. Se estamos à procura de causas para a crise de hoje dos refugiados na Europa, este é certamente um grande contributo”, conclui.