O município de Muros, na região da Corunha (Galiza, Espanha) decretou hoje três dias de luto oficial depois do naufrágio do pesqueiro de bandeira portuguesa Santa Ana, que causou dois mortos e seis desaparecidos.

A presidente do município, Caridad González, explicou que a localidade - de onde eram oriundos dois dos tripulantes desaparecidos e o único sobrevivente, para já, da tragédia - está a viver um «silêncio desolador».

A notícia do acidente nas Astúrias com o navio espalhou-se «como fogo» pela autarquia, fazendo recordar acidentes do passado também envolvendo pescadores da localidade.

Entretanto a Delegação do Governo espanhol nas Astúrias confirmou já a identidade de todos os tripulantes, explicando que os desaparecidos são um português (o contramestre), dois indonésios e três espanhóis.

As vítimas mortais são um português e um espanhol, natural da Galiza, cujos corpos estão já em Avilés (Astúrias).

Manuel Simal Sande, de 50 anos e natural de Muros, foi resgatado com vida e está hospitalizado sob observação médica.

O estado do mar e a forte rebentação nas rochas impediu uma primeira tentativa de mergulhadores da Guarda Civil espanhola chegarem ao interior do navio onde se pensa que os desaparecidos possam estar, já que estava a dormir no momento do acidente, às 05:30 locais.

Fonte do Salvamento Marítimo espanhol disse à Lusa que elementos do Grupo Especial de Atividades Subaquáticas (GEAS) da Guarda Civil estiveram na zona, mas não conseguiram chegar ao navio.

«Estiveram a avaliar a situação e não foi possível realizar a imersão. A zona é de forte rebentação e muito perigosa», disse, ao início da tarde, confirmando que as operações de busca e salvamento continuam com meios aéreos e marítimos.

Imagens difundidas pelo Salvamento Marítimo mostram destroços da embarcação junto a rochas, sendo ainda visíveis algumas das balsas salva-vidas da embarcação Santa Ana.

«As balsas devem ter-se ativado automaticamente. Quando se recolheram confirmou-se não estar ninguém no seu interior», disse a fonte oficial espanhola.

Segundo a fonte, uma equipa de mergulhadores está a caminho da zona, a bordo do navio Salvamar Rigel, um dos que participaram desde a madrugada nas operações de busca.

«Vão para a zona e vão novamente avaliar se é possível aceder ao interior do navio. A situação é muito complicada e há graves riscos», disse.

As equipas envolvidas poderão ter que esperar até à maré baixa, depois das 17:00 locais (16:00 em Lisboa) para tentar entrar na embarcação, como reporta a Lusa.