Barack Obama disse esta noite que Washington está ao lado das vítimas do terrorismo em todo o mundo e pediu ao Congresso novos poderes para enfrentar os militantes islâmicos no Iraque e na Síria.

«Mantemo-nos unidos ao lado das pessoas em todo o mundo que já foram alvo dos terroristas – desde a escola no Paquistão às ruas de Paris», afirmou o Presidente norte-americano no discurso anual sobre o Estado da União.

«Vamos continuar a perseguir terroristas e a desmantelar as suas redes», acrescentou.

Barack Obama falava em Washington poucos dias depois dos ataques na capital francesa ao jornal satírico «Charlie Hebdo», a um ataque à polícia nas ruas e à tomada de reféns num supermercado judaico, os quais causaram 17 vítimas mortais.

Quando Obama invocou o «Charlie Hebdo», deputados norte-americanos levantaram-se – alguns deles com lápis amarelos em riste – para prestar homenagem aos jornalistas e cartoonistas vítimas do ataque.

Obama pediu ao Congresso para aprovar uma resolução que autorize o uso da força contra o Estado Islâmico e atribua base legal e possíveis limites temporais à campanha, uma medida que tem reivindicado desde novembro.

«Esta ação vai demorar. Vai requerer concentração. Mas vamos ser bem-sucedidos», defendeu.

Os Estados Unidos empreenderam uma série de ataques aéreos contra os militantes islâmicos desde setembro, usando os poderes consagrados na legislação adotada na sequência dos ataques do 11 de setembro para combater a Al-Qaeda.

Assim, a Administração Obama tem baseado os seus ataques contra o EI numa «autorização de uso da força militar» (AUMF, em Inglês), de 2001 e noutra de 2002 para o Iraque, usadas pelo então Presidente George W. Bush para lançar ataques contra terroristas no exterior.

Mas responsáveis norte-americanos têm argumentado que é necessária uma nova Autorização para o Uso da Força Militar (AUMF, na sigla em inglês).

«Esta noite, eu apelo ao Congresso para mostrar ao mundo que estamos unidos nesta missão, ao aprovar uma resolução para autorizar o uso da força contra o Estado Islâmico», afirmou.

O Presidente dos EUA sublinhou, no entanto, que os responsáveis norte-americanos «se reservam o direito de agirem unilateralmente», como têm feito desde que assumiu o cargo, «para combaterem os terroristas que constituem uma ameaça direta» ao país e seus aliados.

Obama também condenou o «deplorável antissemitismo» que está a ressurgir em algumas partes do mundo e condenou os «estereótipos» contra os muçulmanos.

«Como americanos, nós respeitamos a dignidade humana (...). É por isso que nos expressamos contra o deplorável ressurgimento do antissemitismo em algumas partes do mundo. É por isso que continuamos a rejeitar estereótipos insultantes contra os muçulmanos, cuja grande maioria partilha o nosso compromisso para com a paz», disse Obama perante o Congresso.


Guantánamo continua na agenda

Apesar da firmeza contra o terrorismo, Barack Obama, disse que não vai desistir dos esforços para encerrar a prisão situada na base norte-americana de Guantánamo, em Cuba, conforme prometeu no início do seu mandato.

«É tempo de acabar o trabalho. Estou decidido e não vou desistir até encerramos a prisão», disse.

Segundo a agência Efe, atualmente permanecem 122 presos no centro prisional de Guantánamo, aberto pela administração de George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos e que foi destinado a albergar detidos suspeitos de terrorismo.

Este discurso do Estado da União é o primeiro de Obama (democrata) diante de um Congresso dominado pelo Partido Republicano, que controla as duas câmaras após as eleições intercalares de novembro último.