Barack Obama confessou que a sua “maior frustração” enquanto Presidente dos Estados Unidos, é não ter conseguido alterar a cultura das armas no país. Os Estados Unidos “são uma das nações mais avançadas do mundo e, no entanto, o senso comum não aceita o controlo de armas”.

Obama deu um exemplo: “Se olhar para o número de americanos mortos pelo terrorismo após o 11 de Setembro [de 2001], não chega a 100. Se olhar para o número de americanos mortos em resultado da violência com armas, são milhares”.


O primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos reconheceu, também, que o país tem um problema de racismo, mas, “tem a esperança” que as crianças que cresceram durante os seus oito anos de presidência tenham uma “visão diferente” e “mais tolerante”: negros, brancos, latinos. “Olho para as minhas filhas, para a sua geração, e eles têm uma visão diferente da raça” daquela que a minha geração tem.
Mas, no seu legado, Obama deixa a reforma do sistema de saúde, o retomar das relações com Cuba e o acordo nuclear com o Irão.

A entrevista exclusiva à BBC foi dada pelo presidente norte-americano antes da sua viagem para o Quénia, onde Obama ainda tem parentes e terra natal do seu pai.

O jornalista da BBC começou por questionar Obama se não foi aconselhado pelos seus serviços secretos a não viajar para o país onde o grupo rebelde al-Shabaad já fez tantos mortos, reclamando, nomeadamente, a autoria do massacre no centro comercial de Nairobi, em 2013.

Obama não escondeu as dificuldades da visita ao nível da segurança, nem as diferenças culturais com o Quénia – e a Etiópia, que também vai visitar – países em que são conhecidas violações de Direitos Humanos. Obama preferiu destacar o reforço das relações diplomáticas, do mesmo modo que visitou a Rússia e a China.


Reino Unido, União Europeia e Estado Islâmico

Nesta viagem pelo seu mandato, Obama aterrou ainda na Europa, referindo que o Reino Unido é um parceiro estratégico nas relações dos Estados Unidos e que, por isso, o país deve continuar na União Europeia, embora reconheça as dificuldades trazidas pela situação grega.

E, à boleia deste assunto, que trouxe o Reino Unido como parceiro à conversa, o Estado Islâmico não pôde deixar de ser falado. O Reino Unido anunciou a sua colaboração com os Estados Unidos e os Aliados para combater os jihadistas.

“É um assunto em progresso”, disse Obama, revelando que o objetivo é reduzir ao máximo à área de influência dos jihadistas por um lado e, por outro, impedir que mais pessoas se juntem à causa radical islâmica.