Barack Obama agradeceu aos franceses não terem desistido de realizar a Cimeira do Clima COP21, depois dos atentados de Paris de dia 13 de novembro, em que morreram 130 pessoas.
 
Foi no arranque da intervenção do Presidente dos Estados Unidos, um dos 151 líderes mundiais presentes na cimeira, que arrancou nesta segunda-feira.
 

“Viemos a Paris apresentar a nossa solução. Oferecemos as nossas condolências pelos atos bárbaros cometidos nesta bonita cidade. Estamos solidários e aplaudimos a decisão de Paris em manter a realização desta conferência crucial. Um ato desafiador que prova que nada nos deterá de construir o futuro que queremos para os nossos filhos. Que melhor rejeição para aqueles que querem deitar abaixo o nosso mundo que unir os nossos melhores esforços para salvá-lo."

 
Obama disse que a “ameaça crescente das mudanças climáticas pode definir os contornos deste século mais do que qualquer outro assunto”.
 

“Este pode ser um ponto de viragem. 14 dos 15 anos mais quentes ocorreram depois do ano 2000. E 2015 prepara-se para ser o mais quente de sempre. Nenhuma nação está imune ao que isto representa.”

 
Mas para o líder da maior economia mundial e a segunda mais poluente, o maior adversário nesta cimeira não é apenas o clima.
 

“Um dos inimigos que vamos combater nesta conferência é o cinismo, a ideia de que não podemos fazer nada sobre a mudança climática.”


Por isso mesmo, os Estados Unidos assumem a sua responsabilidade, tanto enquanto poluidores do planeta, como na sua resolução, prometeu Obama.
 

“Como líder da maior economia e segundo país mais poluente, os Estados Unidos da América não só reconhecem o seu papel na criação do problema, como abraçam a responsabilidade de fazer algo.»


Obama contou que viu, no verão passado, “os efeitos das alterações climáticas no Alaska, onde o mar está já a engolir vilas e a causar a erosão costeira, onde os glaciares estão a derreter a um ritmo sem precedentes nos tempos modernos”. “Foi uma antevisão de um possível futuro: o destino dos nossos filhos”, lamentou
 

“Temos o poder de alterar este futuro, aqui e agora. Mas só se estivermos à altura do momento. Como disse um governador americano, somos uma das primeiras gerações a sentir o impacto das alterações climáticas e uma das últimas a fazer alguma coisa por isso.»

 
O presidente dos Estados considerou, ainda, que a sua geração poderá já não assistir aos impactos dos acordos alcançados em Paris, terminando a sua intervenção com um: “vamos pôr mãos à obra.”

A Cimeira de Paris pretende alcançar um acordo vinculativo que permita reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
 
Realizada sob fortes medidas de segurança, após os atentados de Paris, 195 países vão estar representados na capital francesa até 11 de dezembro, para negociarem reduções de emissões, a distribuição por nações desenvolvidas e em desenvolvimento, formas de adaptação às mudanças e as ajudas aos países mais afetados mas com menos capacidades económicas.
 
O primeiro-ministro português chegou esta manhã à cimeira, onde se faz acompanhar pelo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.
 
António Costa, que não pode discursar por o Governo anterior não ter feito a inscrição, foi recebido pelo Presidente francês François Hollande e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.