Um frente-a-frente e um aperto de mão que ficam para a História. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esteve esta segunda-feira com o Presidente de Cuba, Raúl Castro, em Havana. O encontro, que ocorreu no Palácio Presidencial cubano, terminou com uma conferência conjunta entre os dois líderes. O momento coroou a aproximação entre os dois países, mas também deixou claro que há ainda muito para fazer. Raúl Castro sublinhou isso mesmo, ao considerar o fim do embargo económico e a presença militar em Guantánamo como dois "obstáculos" à existência de boas relações entre os países. Obama, por sua vez, afirmou que o embargo vai acabar, só não sabe quando, e manifestou as preocupações norte-americanas em relação aos direitos humanos em Cuba.

“O fim do embargo é essencial para as relações entre Cuba e os Estados Unidos”, afirmou Raúl Castro na conferência conjunta.

No Palácio de Havana, Barack Obama e Raúl Castro mostraram-se sorridentes perante as muitas câmaras que registaram o encontro dos dois líderes, o ponto alto desta visita de três dias de Obama a Cuba. Com pompa e circunstância, uma banda militar recebeu os dois chefes de Estado. Primeiro ouviu-se o hino cubano, depois o hino norte-americano. As conversações propriamente ditas decorreram longe dos olhares mais curiosos. 

O início de um novo ciclo de relações entre os dois países parece estar mais perto do que nunca. Todavia, há ainda várias matérias que continuam a separar os dois países. E no final do encontro, tanto Castro como Obama sublinharam isso mesmo, numa conferência conjunta.

Raúl Castro lembrou "dois obstáculos" à existência de boas relações entre os países: o embargo económico a Cuba e a presença militar na base de Guantánamo. 

Relativamente ao embargo económico, Castro considerou que o seu fim é "essencial". O presidente cubano saudou as medidas que já foram anunciadas pelos Estados Unidos - como a maior facilidade nas viagens entre os dois países e a autorização de exportações dos EUA para Cuba -, mas considerou-as "insuficientes".

"O emabrgo é o obstáculo mais importante para o nosso desenvolvimento económico."

Barack Obama, por sua vez, mostrou-se disponível para estreitar os laços económicos com Cuba e até disse que o embargo ia ser levantado, só não sabe quando. O fim do embargo económico a Cuba é uma questão que, recorde-se, não depende exclusivamente do presidente, mas também do Congresso norte-americano, de maioria republicana.

"O embargo vai acabar. Quando, não posso ter a certeza absoluta, mas acredito que vai acabar e o trajeto que estamos a fazer vai continuar para além do meu mandato."

Por outro lado, o líder norte-americano frisou que a questão dos direitos humanos na ilha continua a preocupar os EUA. Obama revelou que teve uma conversa franca com o líder cubano a este respeito, considerando que o destino de Cuba não será decidido pelos norte-americanos, mas antes pelos cubanos. Os Estados Unidos irão continuar a falar em nome da democracia em Cuba, defendeu.

"Continuamos a ter diferenças sérias, incluindo no que toca à democracia e aos direitos humanos." 
 

E sobre esta matéria Castro reiterou: "Mostrem-me uma lista com presos políticos e eles serão libertados".

O primeiro presidente norte-americano a pisar solo cubano em quase 90 anos admitiu que as relações dos EUA com Cuba não se irão transformar "do dia para a noite". Ainda assim, fez questão de destacar que o dia de hoje é "um novo dia" para os dois países. 

O encontro entre os dois chefes de Estado é o momento alto desta visita histórica de Obama a Cuba. Uma visita que representa o culminar de uma série de acontecimentos que promoveram a aproximação entre os dois países. Dois vizinhos que deixaram de ser inimigos.

Cuba e EUA estavam de relações cortadas desde a revolução cubana e o período da Guerra Fria. O restabelecimento das relações diplomáticas aconteceu em dezembro de 2014 e, mais tarde, em agosto de 2015, a embaixada norte-americana em Havana foi reaberta.