Barack Obama criticou as declarações de Donald Trump sobre os muçulmanos e afirmou que este tipo de retórica é perigosa e "contrária aos valores do país".

Após o massacre de Orlando, o candidato republicano à Casa Branca propôs suspender a imigração proveniente de países envolvidos no passado em atentados contra os Estados Unidos ou os seus aliados.

Quando for eleito, vou suspender a imigração de regiões do mundo com um passado comprovado de terrorismo contra os Estados Unidos, a Europa ou os nossos aliados, até que saibamos exatamente como pôr fim a essas ameaças”, declarou num discurso proferido em Manchester, New Hampshire.

Esta terça-feira, num discurso visivelmente irritado, o presidente dos EUA afirmou, sem nunca mencionar o nome de Donald Trump, que a "retórica antimuçulmana faz com que os muçulmanos americanos se sintam traídos pelo governo" e que isso "trai os próprios valores que os Estados Unidos defendem".

Temos agora propostas do candidato republicano para barrar todos os muçulmanos que queiram emigrar para a América e que sugerem que comunidades religiosas inteiras são cúmplices na violência. Onde é que isto vai parar? Vamos começar a tratar todos os muçulmanos americanos de forma diferente? Vamos começar a colocá-los sob vigilância especial? Vamos começar a discriminá-los por causa da fé? Ouvimos essas sugestões durante a campanha eleitoral"

Lembrando os momentos "duros na história" dos EUA, Obama alertou para a "mentalidade perigosa" e "conversa fiada" por parte do candidato republicano que pode mesmo ameaçar a democracia americana. 

Passámos por momentos duros na nossas história antes, quando agimos por medo e arrependemo-nos disso. Vimos a desconfiança dos nossos cidadãos no nosso governo e essa foi uma parte vergonhosa da nossa história. Este é um país fundado em liberdade religiosa. Não temos testes religiosos. Se alguma vez abandonarmos esses valores estaremos a trair as coisas que tentamos proteger. Não vou deixar que isso aconteça".

Finalizando o seu discurso, Obama lembrou ainda que generalizar todos os muçulmanos apenas vai ajudar os terroristas a espalhar que a América odeia a religião.