O presidente norte-americano, Barack Obama, prepara-se para fazer mais uma vez História, ao lançar uma legislação nacional que visa o corte das emissões de carbono para a atmosfera até 32% em 2030.

O Plano de Proteção Ambiental é “o maior e mais importante passo dado [pelo país] para combater as alterações climáticas”, disse Barack Obama, numa mensagem emitida nas redes sociais, no domingo.

Uma legislação mais ambiciosa do que a que estava inicialmente prevista. A Casa Branca em versão Casa Verde, que, apesar dos dois anos que dá aos Estados para aplicação das medidas, conta, desde já, com a renitência dos Estados que mais usam o carvão para produzir energia e que já ameaçaram recorrer aos tribunais e ao Congresso para travar a nova legislação, alegando que vai aumentar os custos de produção.

Obama quer promover o recurso à energia eólica em detrimento do carvão. Mais do que uma regulação, uma mudança de atitude, a ser tomada pelos Estados, pelas empresas e pelo cidadão, em cada gesto, em cada passo.

“Pela saúde dos nossos filhos, pelo bem-estar de todos os americanos, isso está prestes a mudar. Se acredita, como eu, que não podemos condenar os nossos filhos e netos a um planeta sem solução, peço-lhe que partilhe esta mensagem com os seus amigos e a sua comunidade, para que adotem hábitos mais sustentáveis [do ponto de vista ambiental]”, afirmou Obama com os olhos na câmara.


Se a mensagem de Obama passa de porta em porta ainda não se sabe, mas, a verdade é que o vídeo, partilhado no Facebook da Casa Branca, já tem mais de 3,5 milhões de visualizações.

BREAKING: On Monday, President Obama will release the final version of America's Clean Power Plan—the biggest, most important step we've ever taken to combat climate change. If you agree that we can't condemn our kids and grandkids to a planet that's beyond fixing, share this video with your friends and family. It's time to #ActOnClimate.

Posted by The White House on Sábado, 1 de Agosto de 2015

O carvão representou uma quota de 39% de uso em 2014, o gás natural 30%. Com este plano, em 2030, o recurso ao carvão deverá cair mais de 20%, ao contrário da energia eólica que deve subir a sua quota até aos 28%, segundo números da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, citados pela Reuters.

“O clima está a mudar. Uma mudança que influencia a nossa economia, a nossa segurança e a nossa saúde. Isto não é uma opinião, é um facto”. Barack Obama chamou a atenção para os perigos das mudanças do clima dando exemplos: “Verões mais quentes, aumento do nível do mar, aumento dos períodos de seca” que contrastam com “desastres naturais”, como ”tempestades, que se tornam cada vez mais frequentes, com maior prejuízo económico e mais perigosas”.

“As mudanças climáticas não são um problema para outra geração”, disse Obama. Mas, podem ser para outra administração. A medida que Obama se prepara para lançar já está a aquecer a pré-campanha, com o republicano Jeb Bush a incitar os Estados a não aplicarem a legislação e Hillary Clinton, por seu turno, a trazer o tema para cima da mesa das presidenciais, como trunfo da sua eleição, e apoiando as diretrizes da administração Obama sobre o clima.

“Está na altura da América e do mundo protegerem o planeta”, defendeu Obama no vídeo, um compromisso também com a ONU.


Contra as vozes que se levantam a dizer que o Plano traz um aumento dos custos, a administração responde com incentivos para as empresas que adotem energias renováveis e para os Estados que promovam esses comportamentos, bem como uma linha de crédito para os Estados.