Evitar apenas meio grau a menos no aquecimento da temperatura da Terra obriga a um acordo que Barack Obama considera "ambicioso", senão histórico e indispensável, agora alcançado na cidade africana de Kigali, capital do Ruanda.

Em causa estão os hidroflurocarbonetos (HFC), os gases utilizados nos sistemas de refrigeração, espumas e aerossóis, e que potenciam o aquecimento do planeta.

Em Kigali, foi finalmente aprovada uma emenda ao Tratado de Montreal de 1987 que inclui as duas maiores economias do mundo, China e os Estados, e tudo o indica, também as mais poluidoras.

Durante muitos anos, nos Estados Unidos trabalhámos sem descanso para encontrar uma solução global que permitisse eliminar, gradualmente, a produção e o consumo dos HFC", refere Barack Obama em comunicado, lembrando que esses gases "podem ser centenas e até milhares de vezes mais potentes que o dióxido de carbono".

Redução a partir de 2019

Hoje em Kigali, cerca de 200 países adotaram uma solução ambiciosa e de grande alcance para esta iminente crise", acrescenta o comunicado do presidente norte-americano.

Segundo o acordo alcançado, batizado como Emenda de Kigali, os países desenvolvidos começam a diminuição gradual do uso de HFC em 2019, apesar de estar já em vias de desenvolvimento o congelamento dos seus níveis de consumo entre 2014 e 2028.

Por cá, o presidente da Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Francisco Ferreira, assinala que os HFC "são superpoluentes".

Um quilograma destes gases com efeito de estufa vale milhares de vezes um quilo de CO2, em termos do potencial do aquecimento global", sublinhou Francisco Ferreira em declarações à Agência LUSA.

Francisco Ferreira acrescentou que, "o mais dramático é que estes gases têm vindo a crescer avassaladoramente à escala mundial".

São 70 mil milhões de toneladas as emissões de CO2, equivalente que, através deste acordo, podem vir a ser evitadas. O que, no total, anda quase próximo do potencial de aquecimento global de meio grau", acrescentou o ambientalista.