Um mundo ainda a preto e branco. Oito anos e dois mandatos praticamente cumpridos na Casa Branca, Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, despediu-se da "sociedade das Nações" com um discurso crítico do rumo que o mundo leva.

Numa referência que muitos atribuíram como um recado aos norte-americanos face à candidatura de Donald Trump, o republicano que lhe pretende suceder na Casa Branca, Obama falou contra os que querem viver afastados dos outros.

Uma Nação rodeada de muros só se aprisiona a si própria", afirmou Obama, defendendo que "temos de rejeitar todas as formas de fundamentalismo ou arcismo e abraçar a tolerância e respeito por todos os seres humanos".

A propósito, o presidente norte-americano não esqueceu a questão dos refugiados.

Temos de abrir os nossos corações e fazer mais para ajudar os refugiados que desesperam por um lar", salientou Obama.

Israel e Palestina em foco

Falando contra a ascensão de um “nacionalismo agressivo” e de um “populismo rude” em todo o mundo, o homem que irá presidir aos Estados Unidos até janeiro do próximo ano, lembrou também o eterno conflito entre Israel e os palestininos, com um claro aviso para ambas as partes.

Seguramente que israelitas e palestinianos ficarão melhor, caso os palestinianos rejeitem incitamentos e reconheçam a legitimidade de Israel", considerou Barack Obama, enfatizando porém  que "a paz só será possível "quando Isarel reconhecer que não pode permanentemente ocupar e estabelecer-se em território palestiniano.

À margem do último discurso na ONU, sabe-se que Obama tenciona reunir-se a dois com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na quarta-feira.

Discutir a necessidade de um avanço genuíno numa solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, tendo em conta os problemas preocupantes no terreno", é o propósito de Obama para a reunião, segundo o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

Mundo mais seguro com todos

Criticando as desigualdades, Obama foi claro em considerar que "o nosso mundo será mais seguro se estivermos preparados para ajudar os que necessitam".

Um mundo em que 1% da humanidade controla tanta riqueza quanto os outros 99%, nunca será estável", sustentou ainda o presidente dos Estados Unidos.

Palavras teve ainda Obama para afirmar o seu compromisso, enquanto presidente à beira da saída, de que os Estados Unidos não tencionam aumentar o seu arsenal nuclear. Da mesma forma que considerou ser "urgente" concretizar o acordo climático de Paris.

Críticas, deixou-as Obama, à Rússia, por tentar recuperar uma "glória passada" através da força, e à Coreia do Norte, por causa dos recentes lançamentos de mísseis e aos testes nucleares.

Qualquer país que não obedeça às normas internacionais (sobre as armas nucleares) deve enfrentar consequências", defendeu Barack Obama.