O Presidente norte-americano, Barack Obama, pediu esta quarta-feira ao Congresso, no seu discurso sobre o Estado da União, a aprovação de uma lei que confirme a tradição dos Estados Unidos como «país de imigrantes».

«Todos podemos reconhecer algo de nós mesmos num estudante perseverante e concordar que ninguém ganha quando se separa uma mãe trabalhadora do seu filho», disse Obama no seu penúltimo discurso sobre o Estado da União perante as duas câmaras do Congresso norte-americano.

Obama voltou a pedir uma reforma migratória e manteve a posição que defendeu em novembro, quando anunciou medidas para beneficiar cinco dos mais de 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

O líder dos Estados Unidos disse acreditar que é possível melhorar e, por isso, pediu aos republicanos que atuem e aprovem uma lei sobre a imigração que confirme a tradição dos Estados Unidos como «nação de leis e nação de imigrantes».

«Podemos lutar pelos votos durante as campanhas eleitorais, mas seguramente podemos estar de acordo de que o direito ao voto é sagrado e que está a ser negado a demasiadas pessoas», disse.

O Presidente dos EUA, que recebeu o apoio do voto hispânico em 2012, recordou a manifestação em defesa dos direitos civis de 1965 de Selma a Montgomery, sobre a qual se celebram 50 anos e que levou à aprovação da Lei de Direito ao Voto.

Durante o seu discurso sobre o Estado da União, Barack Obama instou, igualmente, o Congresso a aprovar uma lei que garanta a igualdade salarial entre homens e mulheres e comprometeu-se a agir para a tomada de medidas sobre as licenças de maternidade e baixa por doença.

«Nada ajuda melhor as famílias a fazer face às despesas do que um melhor salário. É por isso que o Congresso deve aprovar uma lei que garanta que o salário da mulher seja igual ao do homem sempre que desempenhar as mesmas funções», afirmou.

«Estamos em 2015. Este é o momento», acrescentou.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico(OCDE), em 2011 os homens recebiam em média mais 17,8% do que as mulheres nos Estados Unidos.

No seu discurso sobre o Estado da União, Obama criticou o facto de os Estados Unidos serem o «único país industrializado» no mundo que não oferece licença de maternidade paga ou subsídio por doença.

Atualmente, a lei norte-americana apenas garante licenças de maternidade não remuneradas.

«43 milhões de trabalhadores não beneficiam de subsídio por doença. 43 milhões, vejam vocês», afirmou o Presidente norte-americano perante o Congresso, acrescentando que vai «ajudar» os Estados norte-americanos a adotarem leis sobre as baixas médicas pagas.

Obama reiterou o pedido para o aumento do salário mínimo, bloqueado desde 2009 no nível atual (7,25 dólares por hora), devido à oposição dos republicanos.

Este discurso do Estado da União é o primeiro de Obama (democrata) diante de um Congresso dominado pelo Partido Republicano, que controla as duas câmaras após as eleições intercalares de novembro último.


Alterações climáticas são a maior ameaça para as gerações futuras

O Presidente dos Estados Unidos não terminou o discurso do Estado da União sem abordar as alterações climáticas, e considerou que estas são a «maior ameaça para as gerações futuras».

O líder dos EUA afirmou que não vai permitir aos deputados que «ponham em perigo a saúde das crianças ao atrasarem o relógio» no âmbito do combate às alterações climáticas.

«2014 foi o ano mais quente do planeta desde que há registos. (…) Ouvi dizer que algumas pessoas querem ignorar a evidência afirmando que não somos cientistas, que não dispomos de informação suficiente para atuar. Bem, eu também não sou cientista, mas conheço muitos, muito bons», afirmou.