
Um homem insinua que Mitt Romney foi responsável pela morte da sua mulher, num anúncio de um grupo de apoio a Barack Obama. O atual presidente é acusado de declarar «guerra à religião» num anúncio da campanha de Mitt Romney. A coisa está a ficar feia entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos.
As acusações estão a subir de tom, acompanhadas por provocações de ambos os lados. Esta semana, Obama chamou «Romney Hood» ao adversário, dizendo que é Robin Hood ao contrário nos impostos, tira aos pobres para dar aos ricos. E em resposta Romney chamou-lhe «Obamaloney», um neologismo para dizer que só tem dito disparates. Mas o tom tem sido especialmente marcado por anúncios orientados para causar impacto, e polémica.
O mais recente veio do campo democrata. Foi lançado pela Priorities USA, um comité de ação política, e mostra Joe Soptic, um antigo trabalhador de uma fábrica de aço detida pela Bain Capital, fundada por Mitt Romney, a estabelecer uma ligação entre a falência da empresa e a consequente perda de seguro de saúde com a morte da sua mulher, vítima de um cancro.
Romney criticou o anúncio, a campanha de Barack Obama distanciou-se, dizendo que não tinha conhecimento da história, mas Soptic já tinha aparecido antes em ações de campanha do atual presidente.
Mas há mais. A campanha de Barack Obama tem tentado capitalizar de muitas formas a questão dos impostos de Romney ¿ o candidato recusa revelar os descontos que fez nos anos anteriores a 2010 - e também já publicou um anúncio em que insinua que Romney não pagou um tostão.
O candidato republicano não tem ficado atrás. Romney já acusou, por exemplo, Obama de «declarar guerra à religião», a propósito das diretivas da administração democrata sobre a política de contracetivos. Nesse anúncio, o mormon Romney faz claramente um apelo ao eleitorado católico, usando a imagem do Papa João Paulo II.
Noutro anúncio, o lado republicano acusa Obama de querer destruir a política de work to welfare, que condiciona o acesso aos apoios sociais à procura de trabalho: «Com o plano de Obama, não precisa de trabalhar e preparar-se para trabalhar. Eles mandam-lhe o cheque.»
Grande parte dos anúncios das campanhas são divulgados no Youtube, apenas uma minoria se destina a passar na televisão. A estratégia passa mesmo por ganhar espaço nos media pela polémica, dizem os especialistas. «Estes anúncios alargam a narrativa sobre a campanha e os artigos e cobertura dos anúncios muitas vezes têm maior impacto do que os próprios anúncios ou declarações», diz ao «Washington Post» Chris LeHane, um estratega democrata.
Numa altura de recolha de fundos e de contar espingardas para as eleições de novembro, as campanhas também pretendem mobilizar os apoiantes, mais do que optar por discursos mais moderados para convencer os indecisos. «É um toque a rebate em que os dois lados dizem que é altura de doar, de sair do sofá», analisa Nicholas Valentino, professor de ciência política na universidade do Michigan.
Por agora, a estratégia está a resultar melhor para Obama. Não pelo lado dos fundos: Romney conseguiu angariar mais dinheiro no último mês do que o presidente. Mas nas intenções de voto, segundo as sondagens desta semana, Obama vai à frente e está a crescer. Nesta sexta-feira um inquérito da CNN dava-lhe sete pontos de vantagem.