Manifestantes antigovernamentais invadiram esta quarta-feira a sede da Polícia Nacional em Banguecoque, após demolirem os blocos de cimento que protegiam uma das entradas do edifício e sem encontrar resistência por parte das forças de segurança.

Este incidente, noticiado pela Efe, ocorre um dia depois de milhares de manifestantes terem ocupado as sedes do Governo e da Polícia Metropolitana na capital da Tailândia.

Apesar disso, uma aparente calma prevalecia no distrito administrativo de Banguecoque, depois de dois dias de distúrbios que cessaram após a polícia ter recebido ordens para parar de enfrentar os manifestantes.

Dezenas de voluntários trabalhavam, esta manhã, na limpeza de escombros nos pontos de concentração dos participantes dos protestos nas ruas onde ocorreram os confrontos, aproveitando a trégua acordada face à celebração, esta quinta-feira, do aniversário do rei Bhumibol Adulyadej, habitualmente assinalado em clima de paz e tranquilidade.

Contudo, os protestos vão ser retomados no dia seguinte, segundo garantiu o líder do movimento da oposição, o ex-vice-primeiro-ministro no Governo do Partido Democrata (2008-2011) Suthep Thaugsuban, a fim de erradicar o que qualifica como «regime de Thaksin», em referência ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto, em 2006, na sequência de um golpe militar.

Suthep Thaugsuban acusa a atual primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, de corrupção e de ser um fantoche nas mãos de Thaksin, o seu irmão mais velho, que, de acordo com os seus opositores, governa a Tailândia a partir do seu exílio no Dubai.

Yingluck Shinawatra disse querer evitar novos episódios de violência e mostrou abertura para conversações com académicos, empresários e especialistas e manifestantes, a fim de serem debatidas reformas e de se acordar uma saída democrática para a crise.

«A situação política no nosso país ainda não regressou à normalidade, apesar de se ter acalmado», afirmou Yingluck, esta terça-feira à noite, numa breve mensagem transmitida pela televisão.

A primeira-ministra lançou um apelo para a unidade para se celebrar o aniversário do monarca tailandês, a autoridade moral, sem papel político, venerada pela maioria dos tailandeses.

Contudo, Suthep insistiu na sua proposta de substituir o atual Governo eleito por um «conselho popular» não eleito, opção que a chefe do Executivo tailandesa rejeitou por ser contrária à Constituição.

Entretanto, as autoridades detiveram sete estudantes por alegadamente incendiarem várias viaturas policiais durante os distúrbios que ocorreram durante a madrugada de terça-feira, perto da sede do Governo, na capital.

Segundo o jornal Bangkok Post, os agentes também apreenderam garrafas, bolsas de plástico com gasolina e álcool, navalhas, tacos de golfe, pequenos explosivos e balas.