Haider Ali Khan, rapaz que apareceu numa fotografia, que se tornou viral, a saudar a bandeira indiana nas inundações que assolaram a região de Assam, na Índia, em 2017, corre o risco de ser deportado.

Uma medida que faz parte de uma campanha do governo para eliminar imigrantes ilegais do país obriga os cidadãos a apresentar documentação para provar que são indianos e assim evitar a deportação para o Bangladesh e o menino de nove anos terá de o fazer, já que é uma das quatro milhões de pessoas do estado indiano de Assam cujos nomes não apareceram na lista de cidadãos, publicada a 30 de junho deste ano.

Cada residente deste estado foi solicitado a mostrar documentos de identidade para serem incluídos na lista, onde a mãe, irmão e outros familiares também não estavam. Segundo o The Guardian, o professor de Haider, Tajen Sikdar, que também aparece na foto, disse esta semana que o rapaz tinha enviado os dados legais ao governo para provar a sua cidadania.

O estado de Assam partilha uma fronteira de 270 quilómetros com Bangladesh e acredita-se que pelo menos centenas de milhares de habitantes tiveram que se mudar para lá, desde 1948. O governo indiano combate agora a imigração ilegal, algo que poderia colocar em "risco" Haider Ali Khan.

O governo indiano alertou já que qualquer pessoa cujo nome não aparece na lista final - a publicação ainda vai anunciada - pode perder quaisquer benefícios ou direitos do governo para o trabalho e a propriedade e pode até ser deportada.

O ressentimento dos habitantes, que são na maioria muçulmanos, cresceu rapidamente em Assam depois de uma onda de refugiados de Bangladesh terem fugido da guerra de libertação do país em 1971. O pedido de verificação da cidadania foi ordenado há décadas, mas os governos só o solicitaram em 2014, quando o Supremo Tribunal decidiu que o processo deveria então começar.

Aman Wadud, um advogado que representou muitos dos declarados "estrangeiros" nos últimos anos, disse que ainda não há certezas do que realmente vai acontecer aos que foram excluídos.

É muito curioso perceber-se o porquê destas pessoas terem sido postas de parte. Não acho que as pessoas que foram excluídas vão mesmo ser deportadas, só o Supremo Tribunal pode decidir os nomes da lista final.", disse ele.

A organização dos Direitos Humanos e a Amnistia Internacional reagiram já dizendo que o processo "levanta preocupações sobre a detenção arbitrária e sem o devido processo legal".

As autoridades indianas precisam agir rapidamente para garantir que os direitos dos muçulmanos e de outras comunidades vulneráveis ​​em Assam sejam protegidos contra a perda de nacionalidade.", disse a diretora dos Direiros Humanos, Meenakshi Ganguly.

De acordo com o The Guardian, a criança apareceu na fotografia com o seu professor e outros dois rapazes no dia 15 de agosto do ano passado, diia em que se comemorou o 70º aniversário da independência da Índia. Na imagem podem ver-se os três rapazes e o professor a saudar a bandeira, dois deles com água pelo pescoço, outro com a água pela cintura e o professor com a água pelos joelhos.

O estado indiano do nordeste, Assam, foi severamente inundado por esta altura no ano passado e a fotografia que correu as redes sociais procurava mostrar um exemplo de resiliência e orgulho indiano. Um ano depois, Haider está a lutar para provar que é indiano e evitar a deportação para o Bangladesh.