Rogelio S. T. era o homem de confiança de Antonio Quesada e Ana María Artiles. O casal de idosos, de 76 e 74 anos, confiavam as suas finanças ao subdiretor da sucursal do Santander em Guanarteme, em Las Palmas, na Gran Canaria, sem nunca desconfiarem do que podia vir a acontecer.

A 6 de março de 2012, o casal foi visto, pela última vez, numa casa de churros que costumava frequentar e seguiu para um centro de aparelhos de audição a que nunca chegou.

Segundo conta o El Mundo, nos meses depois do seu desaparecimento, as filhas do casal procuraram os pais por todo o lado com a certeza de que não tinham desaparecido de forma voluntária, mas rapidamente tiveram a certeza que não os encontrariam com vida. 

"Tínhamos a certeza de que não tinham desaparecido voluntariamente, que não era um assunto de tráfico de órgãos nem algo sexual... os meus pais não eram ricos, mas o dinheiro move o mundo", afirmou Miriam Quesada, uma das filhas do casal.

Nos meses que se seguiram ao desaparecimento do casal, a outra filha de Antonio e Ana María, Loli, continuou a ir à mesma sucursal onde os pais eram clientes. O subdiretor - e agora suspeito - recebia-a com a mesma naturalidade de sempre e mostrava-se preocupado com a família.

"Atuava de forma muito normal, inclusivamente, perguntava como iam as coisas, se sabíamos alguma coisa deles. Um sangue frio impressionante, porque estamos convencidos de que foi ele", afirma Loli.

Cinco anos e cinco meses depois

Antonio e Ana María desapareceram em março de 2012. Durante cinco anos e cinco meses, nada se soube do casal de idosos e o caso parecia não ter resolução. Até que, a 20 de agosto de 2017, uma cadela desenterrou um osso humano em Agüimes, a 40 quilómetros de Las Palmas, e levou-o ao dono, que voltou ao local, escavou mais um pouco, e encontrou um crânio.

Os cadáveres foram encontrados com as roupas que vestia o casal quando desapareceu, os óculos, a prótese da anca de Ana María, um colar de ouro, bastante dinheiro e a documentação dos dois. A autópsia viria a confirmar o que já se suspeitava: que eram Antonio e Ana María que ali estavam enterrados.

As irmãs puderam finalmente enterrar os pais, mas afirmaram que não descansariam enquanto não encontrassem o responsável pela morte do casal.

A resposta chegou a 26 de janeiro. Rogelio, o subdiretor amável do banco que perguntava a Loli se sabia alguma coisa dos pais, foi detido pela polícia por ser o principal suspeito das mortes de Antonio e Ana María.

Uma das filhas do casal, Miriam, diz que tudo aponta para que tenha sido Rogélio a matar os pais, "mas temos de ter muita cautela, não nos precipitarmos e respeitar o trabalho judicial".

"Que se faça justiça para poder encerrar este episódio tão duro e tão triste. Resta-nos isso".

A investigação encontra-se sob segredo de justiça, mas segundo a imprensa local, o casal Quesada Artiles tinha colocado 60 mil euros nas mãos de Rogélio, que se apropriou indevidamente do dinheiro. Na altura da detenção, o bancário reconheceu que geria as contas do casal, mas negou qualquer envolvimento na sua morte.

O El Mundo noticia ainda que Rogélio foi despedido meses depois do desaparecimento de Antonio Quesada e Ana María Artiles. A sua dispensa do banco Santander foi tornada pública a 6 de março, um ano depois do casal ter desaparecido, e deveu-se a irregularidades na gestão de contas de outros clientes que não tiveram consequência legais.

O antigo subdiretor do Santander, de 52 anos, tem dois filhos e está separado. Vive em Telde, uma localidade a meio do caminho entre Las Palmas, onde desapareceram Antonio e Ana María, e Agüimes, onde o casal foi enterrado. Encontra-se detido e deverá ser ouvido, esta quarta-feira, pelo tribunal de Las Palmas.