A oposição síria voltou a confirmar a sua participação na conferência de paz Genebra II depois de o secretário-geral da ONU ter retirado o convite ao Irão menos de 24 horas depois de o ter feito.

Em comunicado, a oposição síria, que ameaçou boicotar a conferência se o Irão, aliado de Bashar al-Assad, estivesse representado, «confirmou a sua participação na Genebra II, que tem como objetivo uma transição política na Síria», logo depois de Ban Ki-moon ter retirado o convite a Teerão.

No entanto, o Conselho Nacional Sírio anunciou a sua saída da coligação da oposição síria em protesto contra a sua participação na Genebra II.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denunciou hoje o que considerou o «fracasso da comunidade internacional» na Síria, por «se dar prioridade» à participação do regime sírio na conferência de paz.

A comunidade internacional atuou com «máxima precaução» para evitar que o regime de Bashar al-Assad não participasse na conferência, enquanto no terreno prossegue o drama dos deslocados pelo conflito, afirmou o diretor executivo da Human Rights Watch (HRW), Kenneth Roth, na apresentação do relatório anual da ONG.

Os acordos para a destruição de armas químicas são «sem dúvida importantes», mas isso não deve deixar esquecer que as «armas convencionais» causaram a maioria das vítimas na guerra civil na Síria, disse.

A Rússia veio, entretanto, considerar «um erro» o recuo da ONU. «Sublinhámos sempre que todos os atores externos com influência na situação devem estar representados», defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, quando questionado sobre a decisão do secretário-geral da ONU.

Lavrov criticou as explicações apresentadas por Ban Ki-moon para este recuo.

«Quando o secretário-geral da ONU disse que era obrigado a anular o convite feito ao Irão por este não apoiar os princípios inscritos no comunicado de 'Genebra I' [de junho de 2012], esta é, na minha opinião, uma frase bastante retorcida», argumentou Lavrov.

Os Estados Unidos, Reino Unido e França, que apoiam a saída do Presidente sírio, Bashar al-Assad, exigiram que o Irão apoiasse uma transição democrática na Síria para estar presente na conferência.

A Rússia, fiel aliado do regime de Bashar al-Assad, está na origem, juntamente com os Estados Unidos, da proposta de realizar a conferência de paz 'Genebra II', para tentar encontrar uma solução política para a guerra civil na Síria, que já causou mais de 130 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados desde março de 2011.

A Genebra II vai arrancar na quarta-feira na cidade suíça de Montreux com uma sessão ministerial em que participarão cerca de 40 países e continuará, a partir de sexta-feira, em Genebra com negociações entre o governo e a oposição da Síria.