O secretário-geral das Nações Unidas manifestou esta quarta-feira as suas reservas quanto a uma operação naval de combate aos traficantes de migrantes no Mediterrâneo que a União Europeia se prepara para levar a cabo.

“Deve haver outras maneiras" de resolver a crise dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo em direção à Europa, disse aos jornalistas Ban Ki-moon, após uma reunião em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O responsável da ONU recordou a sua "preocupação” face à ideia da Europa de destruir barcos usados pelas máfias no Norte de África.

Ainda assim, apesar das reticências nestes pontos, Ban Ki-Moon felicitou a Comissão Europeia pela proposta hoje apresentada de distribuir pelos Estados-membros 40 mil refugiados da Síria e Eritreia ( Portugal poderá receber 2.400 pessoas).

O secretário-geral da ONU pediu ainda aos Governos europeus para apoiarem o sistema de quotas de acolhimentos, considerando que todos os países devem partilhar dessa responsabilidade.

O debate sobre os fluxos de migrantes que, através do Mediterrâneo, tentam chegar à Europa em viagens clandestinas, sem condições de segurança, tornou-se um dos pontos fortes da agenda dos mais altos responsáveis da União Europeia após um naufrágio, em abril, que  provocou cerca de 800 mortos e que foi apontado como uma das piores tragédias marítimas do pós-guerra.  

O naufrágio, que sensibilizou o mundo para a crise no Mediterrâneo, motivou a realização de um Conselho Europeu extraordinário, em Bruxelas. A União Europeia decidiu, nessa cimeira extraordinária,  triplicar o orçamento para as buscas e salvamento no Mediterrâneo. Jean-Claude Juncker anunciou que o orçamento para a missão "Triton" é agora igual ao do antigo programa italiano "Mare Nostrum".  

Portugal mostrou-se, na altura,  disposto a participar no esforço da União Europeia, com vista a prevenir mais mortes e a combater o tráfico humano, como assegurou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. 

Além disso, foi anunciado um  plano de contingência para combater as redes de tráfico ilegal de migrantes. As novas medidas implementadas incluem a destruição dos barcos dos grupos criminosos e, por outro lado, a  distribuição de migrantes pelos vários países.