Numa altura em que o Governo já afirmou que não há informação de vítimas portuguesas, entre os reféns no Hotel Radisson, no Mali, um português, Octávio Novo, relatou à TVI o ambiente que se vive em Bamako, enquanto decorrem as operações policiais para resgatar as pessoas que ainda se encontram no hotel.

O português costuma viajar para este país e, apesar desta vez não ter ficado hospedado no Radisson, afirma que, mesmo nos restantes hotéis da região, foram tomadas precauções, depois dos terroristas terem tomado de assalto o edifício.
 

“Encontro-me num hotel na zona oposta do rio ao Radisson Hotel. Às oito da manhã, os seguranças do hotel disseram-me, quando estava a tomar o pequeno-almoço, que eu tinha de entrar no quarto. Disseram-nos que devíamos ficar lá fechados, por questões de segurança, apesar de estarmos bastante longe do Radisson”.


Foi nessa altura que teve conhecimento sobre o que se passava. Alertaram que “pelo menos duas pessoas entraram no Radisson, num carro de matrícula diplomática”, algo que considera que pode ter facilitado a entrada dos terroristas no hotel.

“Normalmente o Radisson tem um controlo de segurança bastante apertado, daí que seja preferencial para estrangeiros e gente da ONU”.


De acordo com o português, o assalto era inesperado porque “Bamako é uma cidade relativamente segura” e a zona em redor do Radisson “é a mais segura e é onde se concentram todos os estrangeiros”, o que, admite, “também atrai mais atenções”.
 

“É o hotel de referência, o mais seguro, é um hotel de luxo. Eu próprio costumo ficar lá, mas desta vez, só por acaso, não fiquei”.


Octávio Novo conseguiu sair do hotel, ainda durante a manhã, e garante que, apesar do cerco em torno do Radisson, que o ambiente que se vive na cidade é de acalmia.
 

“Aquilo que se vê na cidade é uma calma a que localmente chamam de ‘o dia depois da festa’, não há a agitação que normalmente se veria na cidade. Não há muito movimento. Parte dos malianos estão surpreendidos e não parecem compreender muito bem o que se está a passar”.


O português vai ficar em Bamako até domingo, mas diz sentir-se “seguro”.

O Governo português não dispõe, até ao momento, de informação sobre vítimas entre cidadãos nacionais no Mali, afirmou uma fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, à Lusa. Segundo a mesma, a embaixada está “a contactar representantes das empresas portuguesas com elementos a trabalhar no Mali”.

O assalto ao hotel Radisson fez três vítimas mortais. Até ao momento 80 pessoas já foram resgatadas.