Ainda o mundo se questionava sobre o destino do voo MH370, quando a 17 de julho de 2014, surgem as notícias do desaparecimento de mais um avião civil. O voo MH17 da companhia aérea Malaysia Airlines, que fazia ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur,  era abatido por um míssil dos separatistas pró-russos quando sobrevoava a zona de Donetsk, no leste da Ucrânia. Para muitos um crime de guerra, o desastre tirou a vida a 298 pessoas: 192 holandeses, 44 malaios, 27 australianos, 12 indonésios, dez britânicos, quatro belgas, quatro alemães, três filipinos e um canadiano.

Um ano depois do desastre, as respostas continuam praticamente a ser as mesmas, e ninguém foi responsabilizado pelas quase 300 mortes.

Além das perdas humanas, o acidente foi a concretização do pior pesadelo desta companhia aérea. Depois de a 8 de março do mesmo ano ter desaparecido o voo MH370 -  um mistério que até hoje continua por resolver - volta a ser um avião da Malaysia Airlines a fazer as manchetes em todo o mundo. Dois desastres que deixaram a companhia “tecnicamente falida”.

Um ano depois, as respostas continuam praticamente as mesmas. Segundo relatórios das autoridades norte-americanas e holandesas, a que a CNN teve acesso, o avião terá, de facto, sido abatido pelos separatistas pró-russos com recurso a um míssil Buk, um sistema terra-ar russo.

                  
                                                Destroços do MH17 (Foto: Reuters)

O canal norte-americano cita duas fontes que tiveram acesso ao relatório do Conselho de Segurança Holandês, a agência principal na investigação, que foi distribuído por outras agências internacionais. Esta versão do relatório, com várias centenas de páginas, ainda é um “rascunho” e a versão final deverá ser divulgada em outubro.

O documento recria o evento passo-a-passo, e aponta o local exato de onde o míssil foi disparado. A fonte da CNN diz que a localização confirma que o míssil partiu de território controlado pelos separatistas.

Porém, o relatório também atribui alguma culpa à Malaysia Airlines, que não evitou sobrevoar uma zona de conflito. A companhia não analisava os avisos internacionais dirigidos a pilotos, os “ notice to airmen” ( NOTAM, sigla em inglês) - “notas para pilotos”, em tradução livre - que sugeriam às companhias que evitassem o espaço aéreo ucraniano, e, por isso, não estava a par das rotas que outras transportadoras estavam a evitar.

Os investigadores holandeses sugerem que a Malaysia Airlines não teria um sistema tão desenvolvido como outras companhias.
 

Rússia contra a criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis


Esta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, que inicialmente culpou o governo ucraniano pelo acidente (por ter retomado a ofensiva contra os separatistas), considera prematura a sugestão da Malásia de criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis pelo acidente.

Segundo a Reuters, Putin terá dito ao primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, em conversa telefónica, que a ideia pode ter resultados contraproducentes.