O chefe da autoridade de segurança aérea da Grécia negou esta quinta-feira que os destroços encontrados no Mediterrâneo sejam do avião da EgyptAir que se despenhou ao largo de uma ilha grega com 66 pessoas a bordo.

Até agora, a análise indica que os destroços não são de um avião”, disse o chefe da autoridade de segurança aérea da Grécia, após a companhia aérea egípcia ter confirmado a descoberta dos destroços do avião da Egyptair, que hoje de madrugada caiu a cerca de 200 milhas a sul da ilha de Creta, uma área sob responsabilidade do Egito.

O mesmo responsável adiantou que falou com o seu homólogo egípcio às 17:45 horas locais (18:45 em Lisboa) e que lhe afirmou não estar ainda provado que os destroços encontrados pertencem ao “voo MS804”.

O presidente do Egipto pediu já um reforço da investigação. Em comunicado, Abdel Fattah al-Sisi pede a “todas as unidades do Estado, incluindo o Ministério da Aviação Civil (…), Marinha e Força Aérea, para intensificarem as operações de investigação” para que "os destroços do avião sejam encontrados".

O voo MS804 transportava 66 pessoas, entre as quais um português, numa viagem entre Paris e o Cairo, quando subitamente desapareceu dos radares. O Governo egípcio acredita que é mais provável a tese de atentado terrorista do que uma falha técnica.

O aparelho partiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, às 23:09 de quarta-feira, hora local, e devia ter chegado ao aeroporto internacional do Cairo na madrugada desta quinta-feira.

Segundo a Egyptair, o aparelho desapareceu dos radares quando sobrevoava o Mar Mediterrâneo, depois de entrar dentro do espaço aéreo egípcio.

Quanto ao português a bordo, a TVI apurou que se trata de um homem de 62 anos que vivia e trabalhava temporariamente em Joanesburgo, na África do Sul. A Secretaria de Estado das Comunidades já confirmou que o homem trabalha para a Mota-Engil e tem quatro filhos.

O ministro grego da Defesa, Panos Kammenos, afirmou que o avião caiu a 22.000 pés depois de virar acentuadamente duas vezes no espaço aéreo egípcio. Ou seja, num ápice, o avião caiu mais de 15 mil pés. 

A agência Reuters, que cita fontes governamentais, avança que as imagens dos satélites norte-americanos não detetam qualquer explosão a bordo do avião da Egyptair. A conclusão baseia-se numa leitura preliminar e fragiliza a hipótese de ter sido uma bomba a despenhar o airbus A320. 

Ao mesmo tempo, garante que Washington não afasta nenhuma hipótese para explicar a queda da aeronave, incluindo falha mecânica, terrorismo ou ato do piloto ou tripulação. 

Também o candidato presidencial republicano dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no Twitter que "parece mais um ataque terrorista". A Casa Branca não se inclina ainda nem para uma tese nem para a outra.

As operações de busca continuam por parte das armadas grega, egípcia e britânica.

A investigação está a cargo do Egipto, assistido pela França e pelos Estados Unidos.