São menos seis câmaras municipais do que as que tinha há quatro anos, que levam Janira Hopffer Almada a pretender abandonar a liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

De acordo com o site oficial das eleições autárquicas (http://www.eleicoes.gov.cv/autarquicas/index.html), com 1014 das 1019 mesas de voto apuradas, 99,5% dos votos contados, o PAICV vence apenas nas autarquias de Santa Cruz, na ilha de Santiago, e Mosteiros, na ilha do Fogo. Há quatro anos, o partido tinha conquistado oito municípios.

Com a quebra do PAICV, acaba por ser o partido no poder, o MpD, do presidente Jorge Carlos Fonseca e do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva a fazer a festa.

Gostaria de ressaltar a grande vitória do MpD nestas eleições. Atingimos a nossas metas, propusemos sempre vencer e vencer de uma forma convincente. Os cabo-verdianos responderam positivamente às propostas dos nossos candidatos", declarou Ulisses Correia e Silva, no rescaldo das autárquicas.

Enquanto primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva garantiu ir trabalhar com todas as 22 câmaras "de forma igual e sem qualquer discriminação" político-partidária.

O Estado garantirá a todos igualdade de condições e de tratamento, respeitando a lei e fazendo valer aquilo que são os nossos compromissos, no sentido de garantir que o poder local se afirme cada vez mais e seja uma realidade cada vez mais pujante", prometeu.

Segundo os dados da contabilidade eleitoral, o MpD atinge 86,4% dos sufrágios em Cabo Verde, com o PAICV a não ir além dos 9,1%. As autárquicas ficaram também marcadas pela abstenção de 41,7% dos 183 mil eleitores.

BASTA vence e UCID ameaça impugnar

Na ilha da Boavista, o grupo independente BASTA, liderado pelo deputado do MpD, José Luís Santos, foi o vencedor, com 57,5% dos votos. 

Instado a comentar esses resultados onde o vencedor foi um "dissidente" que não contou com o apoio do partido, o presidente do MpD assegurou que irá também trabalhar com a candidatura vencedora na ilha.

Da parte do terceiro partido cabo-verdiano, há, contudo, uma ameaça de impugnação dos resultados. António Monteiro, líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) contesta a colocação de fiscais de controlo nas imediações das mesas de voto por parte da Comissão Nacional de Eleições.

Há uma situação muito anómala que tem que ver com o staff que a Comissão Nacional de Eleições, de uma forma muito particular, resolveu implementar nestas eleições e que nós consideramos que não é razoável e iremos analisar e ponderar que medidas a UCID irá tomar", avançou António Monteiro, indicando que fiscais não estão previstos no Código Eleitoral.