A Grécia foi acusada pela Áustria de se comportar "como uma agência de viagens", por encaminhar os requerentes de asilo para outros destinos europeus, em vez de os acolher no próprio país.

"Eu não compreendo a política dos gregos. É inaceitável que a Grécia atue como uma agência de viagens"

A crítica partiu este domingo do chanceler austríaco, Werner Faymann, ao jornal diário Österreich, acrescentando que a Grécia recebeu no ano passado 11.000 requerentes de asilo e a Áustria 90.000.

O desentendimento entre Viena e Atenas intensificou-se depois de a Áustria ter definido, há cerca de uma semana, quotas para imigrantes que pretendam entrar no seu território, imitando os seus vizinhos nos Balcãs, o que criou um gargalo na Grécia.

A ministra austríaca do Interior, por seu turno, defendeu que se o Governo de Atenas não fizer mais para assegurar as fronteiras externas da União Europeia, então deve discutir-se "abertamente a exclusão temporária" da Grécia do Espaço Schengen.

Sobre Portugal, a Áustria disse há poucos dias que o país devia, precisamente, receber refugiados diretamente da Grécia.

Entretanto, já depois das declarações do chanceler austríaco, a homóloga alemã Angela Merkel veio defender, no canal público ARD, que a União Europeia não pode deixar a Grécia “mergulhar no caos” face ao fluxo migratório, isto numa altura em que milhares de migrantes estão retidos em território grego após o fecho das fronteiras nos Balcãs.

“Acredita seriamente que os países do Euro lutaram para que a Grécia permanecesse na zona Euro […] para no fim, um ano depois, permitir que a Grécia mergulhe no caos? O meu dever e a minha obrigação é que esta Europa percorra o caminho junta"