Os Serviços Secretos australianos consideram não existir uma razão válida de segurança para proibir o uso de burca no país e defendem que a medida vai provocar tensões sociais crescentes, segundo um relatório confidencial divulgado pelo «Sydney Morning Herald».

 

O documento assinala que, sendo verdade que a burca pode esconder a identidade de uma pessoa ou um objeto junto ao corpo, essa situação também pode suceder com qualquer outra peça de vestuário que cubra a cabeça ou o corpo e, portanto, «nesse sentido, não representa uma ameaça adicional ou especial».

 

«Qualquer medida nesse sentido [de proibir a burca] terá implicações negativas, incluindo o aumento das tensões e desconfiança entre as comunidades e forneceria combustível à propaganda extremista, ao recrutamento e aos esforços de radicalização», aponta o texto citado pelo jornal e que a Lusa faz referência.

 

A divulgação deste relatório surge poucos dias depois de um protesto que ocorreu no parlamento australiano contra a autorização do uso da burca em espaços públicos.

 

«Aparentemente, é possível usar um véu que cubra todo o rosto quando se trata de uma mulher muçulmana, mas outros grupos não têm o mesmo privilégio», comentou um dos homens, Sergio Redegalli, um dos homens do protesto, vestido com a roupa que historicamente identificava os defensores da supremacia da raça branca nos Estados Unidos, o Ku Klux Klan. Com isso, queria demonstrar o seu ponto de vista. Alguém com o rosto tapado por uma burca pode pôr em risco a segurança.