O chefe dos Serviços Secretos da Austrália, David Irvine, disse estar preocupado com o aumento da propaganda jihadista que chega ao seu país através das redes sociais.

Os conflitos da Síria e Iraque criaram uma nova geração de militantes e um alcance «nunca antes visto», afirmou David Irvine, durante uma intervenção na noite de terça-feira no Instituto de Assuntos Internacionais de Sydney.

«O número de australianos que procuraram participar nos conflitos da Síria ou Iraque, ou apoiar os extremistas que combatem nesses confrontos, não tem precedentes», referiu, segundo o diário «The Australian».

Irvine disse que estava especialmente preocupado por a milícia do Estado Islâmico (EI) utilizar pessoas com um bom nível de inglês para passar as suas mensagens a mais pessoas, através das redes sociais, e captar adeptos para a causa jihadista.

«A Síria e o Iraque são guerras nas redes sociais», afirmou, acrescentando que o uso do Twitter e Facebook levou os conflitos diretamente aos australianos e a outros públicos.

«A utilização de novos meios de comunicação visa levar as mensagens da sangrenta barbárie até à Austrália com o objetivo de radicalizar os jovens australianos em tempo real, enquanto eles estão sentados em casa ou à espera do comboio ou autocarro», disse David Irvine.

A imprensa australiana noticiou a divulgação de uma fotografia de um menor, filho de australianos, a segurar a cabeça decapitada de um soldado das forças sírias, uma imagem colocada no Twitter pelo pai da criança, que no ano passado se juntou às fileiras do Estado Islâmico na Síria.

Mais de 150 australianos lutam no exterior, nas fileiras de alguma milícia jihadista no estrangeiro, a maior parte no Iraque ou na Síria, segundo dados das autoridades do país oceânico.