Um blogger ateu do Bangladesh foi assassinado por um grupo de rebeldes, munidos de machados, na capital Dhaka. Niloy Chakrabarti, que assinava os seus textos sob o nome Niloy Neel, foi morto na casa onde vivia, na região de Goran.

É o quarto blogger ateu a ser assassinado este ano no Bangladesh. A polícia suspeita que os homicídios foram perpetrados por extremistas islâmicos.

“Entraram no seu quarto, no quinto piso, empurraram um amigo que estava lá e depois agrediram-no até à morte”, afirmou Imran H. Sarker, líder da rede de bloggers ativistas do país, em declarações à AFP.

Sarker disse que Niloy estava numa “lista de alvos a abater”, por ser "uma voz contra o fundamentalismo".

“Ele era uma voz contra o fundamentalismo e o extremismo, era uma voz pelos direitos das minorias, especialmente os direitos das mulheres indígenas.”


As autoridades confirmaram que o blogger foi morto por um grupo de seis pessoas, mas esclareceram que ainda não foram apurados os motivos do crime, como sublinhou o comissário da polícia Muntashirul Islam.

“Seis pessoas bateram à porta, afirmando que estavam à procura de um quarto para alugar. Duas levaram-no para o quarto e agrediram-no lá.”





Em maio, Niloy, que é descendente de uma família hindu, tinha revelado ao The Guardian que recebia ameaças e tinha medo de ser morto. Disse que efetuou todos os procedimentos para solicitar segurança policial, mas que as suas queixas não foram levadas a sério.

Antes da sua morte, já três bloggers e ativistas tinham sido assassinados em circunstâncias idênticas.

Em fevereiro, o escritor de ciência e blogger Avijit Roy foi agredido até à morte. Um mês depois foi Washiqur Rahman, de 27 anos, e, em maio, Ananta Bijoy Das, atacado por um grupo que também estava armado com machados.

A polícia acredita que um braço armado da Al-Qaeda, o Ansarullah Bangla Team (ABT), é o autor dos três ataques, apesar de o grupo radical islamista já ter sido banido do país.

No seguimento destas três mortes, mais de 150 escritores, incluindo Margaret Atwood, Salman Rishdie, Yann Martel e Colm Toibin, assinaram uma carta aberta, condenado os ataques e exigindo ao governo do Bangladesh “que os trágicos acontecimentos" não se repetissem.

Apesar de o Bangladesh ser um estado laico,  90% da população é muçulmana.