O ativista luso-angolano Luaty Beirão começou uma nova greve de fome. O músico iniciou um novo protesto que cumpre sem roupa e em silêncio, no Hospital-prisão de São Paulo, em Luanda, para onde foi levado à força na quarta-feira. A informação foi partilhada pela família através de uma mensagem no Facebook.

O rapper foi um dos três ativistas condenados que se recusaram a ser transferidos da cadeia de Viana para o hospital-prisão.

Luaty terá dito que não queria ir para um sítio com melhores condições quando a maior parte dos reclusos vive encarcerado em condições precárias.

A família escreve que o ativista não quer receber visitas e que não aceita comida.

À agência Lusa, Serena Mancini, irmã do ativista, disse que Luaty não queria ser transferido, uma vez que tencionava denunciar várias ilegalidades e violações dos direitos humanos na prisão onde estava detido.

Um porta-voz dos serviços prisionais confirmou a transferência de doze reclusos para a prisão de São Paulo depois de se terem queixado das condições existentes na cadeia de Viana.

A 28 de março, o tribunal de Luanda condenou a penas entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses de prisão efetiva os 17 ativistas angolanos julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião. Foram igualmente condenados por associação criminosa pelo tribunal.

No caso de Luaty Beirão a pena, em cúmulo jurídico também por falsificação de documentos, foi de cinco anos e seis meses de cadeia. O luso-angolano não compareceu na sala de julgamento por se ter recusado a ser revistado.

Esta não é a primeira vez que Luaty Beirão, de 33 anos, fica em greve de fome. Antes de ser condenado o músico esteve em greve de fome durante 36 dias, por entender que devia aguardar o julgamento em liberdade.