A próxima edição do semanário satírico francês «Charlie Hebdo», que estará nas bancas na quarta-feira, pela primeira vez depois do atentado, vai incluir caricaturas de Maomé e apresentar uma tiragem de três milhões de exemplares, foi anunciado esta segunda-feira.

O advogado da publicação, Richard Malka, garantiu à rádio France Info que o jornal vai incluir outras sátiras sobre políticos e religiosos, pois «esse é o espírito de Je suis Charlie».

Nas redes sociais já circula a capa do jornal desta semana. O cartoon mostra Maomé de lágrima no olho, com o título «Tudo é perdoado».
 

«Nunca vamos ceder. Se não, nada disto teria sentido», frisou o advogado e colaborador do semanário, onde dois homens armados mataram na passada quarta-feira 12 pessoas, alegadamente numa represália pela publicação de caricaturas do profeta do islão.

A distribuidora do jornal revelou também esta segunda-feira que a próxima edição do semanário terá três milhões de exemplares, em vez do milhão inicialmente previsto.

O aumento da tiragem deve-se ao facto de a distribuidora, MLP (Messageries Lyonnaises de Presse), estar a receber grandes encomendas, não só de França mas também do estrangeiro. As receitas da venda do primeiro milhão de exemplares desta edição, que está a ser feita pelos sobreviventes ao atentado e será novamente sobre Maomé, reverterão integralmente para o «Charlie Hebdo», tendo a rede de distribuição aceitado trabalhar gratuitamente.

Logo no dia a seguir ao ataque, um cronista do «Charlie Hebdo», Patrick Pelloux, anunciou que o jornal satírico iria sair já no dia 14 de janeiro, num número com oito páginas, metade do habitual.

Apenas 48 horas após os irmãos Kouachi terem entrado a disparar na redação do «Charlie Hebdo», os membros da equipa que sobreviveram começaram a trabalhar na redação do «Libération».

A cartoonista «Coco», que foi a primeira a contar como sobreviveu ao ataque, também já deixou um aviso sobre a próxima edição do «Charlie Hebdo»:
 

«Queria sobretudo dizer que, apesar do que se passou, não se pode ceder. Penso que é o que o Charb [diretor do jornal] quereria. Penso que é o que se deve fazer e convido toda a gente a mobilizar-se e a apoiar o jornal».