A tragédia do ataque terrorista ao aeroporto Atatürk, em Istambul, na Turquia, que na terça-feira provocou 41 mortos e mais de 200 feridos, revelou histórias de heroísmo e de desolação pelas vítimas.

Enquanto os funerais das vítimas começam a ser realizados, vêm à tona histórias de famílias destroçadas pelo ataque e de funcionários do aeroporto que perderam a vida, e ainda as de outros que arriscaram a própria vida para salvar desconhecidos, como um polícia e um taxista.

Pelo menos 41 pessoas perderam a vida nos ataques, incluindo Mahmoud Çizmecioğlu e a mulher Zeynep Çizmecioğlu (Reprodução Facebook)

Entre as vítimas fatais, Serkan Turk, 24 anos, licenciado em Educação Física, tinha ido ao aeroporto buscar a mãe. Foi morto pela segunda explosão, depois de ter ido tentar ajudar os feridos pelo primeiro rebentamento, refere o jornal turco Hurriyet.

Serkan Turk (Reprodução Facebook)

Yusuf Haznedaroğlu ia casar-se dentro de 10 dias: surgiram imagens dele com um sorriso para a câmara junto da noiva que deveria ter sido sua mulher.

Yusuf Haznedaroğlu e a noiva (Reprodução Twitter)

Yeni Ise Girmisti tinha acabado de começar num novo emprego, enquanto Gülşen Bahadır, uma funcionária do aeroporto que foi baleada, tinha escrito uma semana antes na sua página de Facebook:“Eu aceito, eu amo e obrigada por tudo na minha vida”.

Um polícia Umut Sakaroğlu é aclamado como herói. Na troca de tiros que terminou com a morte de um dos terroristas, o agente interveio prontamente: após atirar, correu para imobilizar o bombista suicida. Quando viu que o atacante estava prestes a detonar um cinto de explosivos, Umut Sakaroğlu correu para se salvar. A ação do polícia contribuiu para evitar que houvesse mais vítimas mortais, já que todas as pessoas que se encontravam naquele local do aeroporto tiveram tempo de se afastar e ficar a salvo da detonação.

"A explosão chegou muito perto de áreas onde os passageiros estavam à espera", afirmou uma fonte do Hurriyet. "Infelizmente, naquele momento Sakaroğlu foi martirizado. Mas se não fosse pela intervenção dele, haveria mais vítimas”, acrescentou.

Milhares de pessoas foram esta quarta-feira à Mesquista Yenimahalle para prestar homenagem a Gûlsen Bahadir, uma das primeiras vítimas do atentado de que falámos acima. Tinha 27 anos e fazia parte da equipa que trabalhava no terminal de chegada do aeroporto que foi atacado. Alguns dos colegas de trabalho vestiam o uniforme do aeroporto.

“Ela era uma boa pessoa, tão divertida e cheia de vida. Era muito jovem para morrer”, disse um colega, citado pelo jornal britânico Telegraph.

Gülşen Bahadır, funcionária do aeroporto Atatürk

Enquanto o número de vítimas mortais foi aumentando e muitos baleados morreram nos hospitais, outras histórias de heroísmo chamaram a atenção. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram taxistas a levar ao colo vítimas dos ataques. Numa delas, um motorista levava uma menina ensanguentada para a conduzir ao hospital.

Homem ajuda criança atingida na explosão

Na terça-feira, três bombistas suicidas entraram armados no aeroporto de Ataturk, em Istambul, e, sem qualquer aviso prévio, começaram a disparar. Momentos depois, fizeram-se explodir. Duas das explosões terão acontecido no interior do aeroporto, nomeadamente na zona de check-in e de raio-x, e a terceira no exterior do terminal de embarque. 

A maioria das vítimas mortais tem nacionalidade turca. Há dez estrangeiros entre os mortos, três com dupla nacionalidade.

As vítimas estrangeiras, são, de acordo com as nacionalidades, cinco sauditas, dois iraquianos, um chinês, um jordano, um tunisino, um uzbeque, um iraniano e um ucraniano.