O pai da vítima mortal mais nova nos atentados da Maratona de Boston em 2013, nos EUA, o pequeno Martin Richard, descreveu em tribunal como a explosão lhe despedaçou a família. Bill Richard relatou, na quinta-feira, no segundo dia de julgamento, o drama vivido pela família: um filho morto, Jane, a filha pequena, com uma perna amputada e a mulher cega de um olho.

Bill Richard recordou o momento em que percebeu que o filho de oito anos ia morrer.

«Quando eu vi o estado de Martin, eu soube de imediato que ele não ia sobreviver. O corpo estava severamente dilacerado pela explosão», disse Bill Richard. «Foi naquela hora que, basicamente, vi o meu filho vivo pela última vez», afirmou, citado pela Sky News.

Foi uma sessão de testemunhos devastadores de sobreviventes no processo de Djokhar Tsarnaev, o único acusado dos ataques, que acontece no tribunal federal John Joseph Moakley, em Boston, no Estado de Massachusetts.

 De acordo com a AFP, enquanto Bill Richard se lembrava da tragédia de 15 de abril de 2013, falando de forma calma, alguns jurados mostravam-se em choque, e uma sobrevivente chorava.

«Vi um garotinho com o corpo gravemente ferido por uma explosão e, pelo que eu vi, soube que ele não tinha hipótese», afirmou Bill Richard. «A cor da pele dele…. Eu sabia, na minha cabeça, que tinha de agir rapidamente, senão não apenas perderíamos Martin, como a Jane também», declarou Bill Richard, ao referir-se ao filho, de oito anos, e à filha, de seis, que perdeu uma perna.

O único suspeito vivo dos atentados, Djokhar Tsarnaev, agora com 21 anos, não esboçou reação e evitou olhar para Bill Richard, que estava a apenas alguns metros do réu. Tsarnaev pode ser condenado à pena de morte pelos atentados que provocaram três mortos e 264 feridos e que foram os mais sangrentos ataques no país desde o 11 de Setembro.

Bill Richard disse lembrar-se da «tremenda explosão», «do cheiro de enxofre e de cabelo queimado», dos estilhaços incrustados no corpo da filha Jane e da conversa com a mulher, Denise, antes de ir para o hospital com a filha e com o terceiro filho, Henry, que escapou relativamente ileso. Bill Richard disse à mulher, que também estava ferida, que tinha de deixá-la para levar as crianças ao hospital.

«Ela concordou e chorava», contou, no tribunal. «Foi naquela hora que, basicamente, vi o meu filho Martin vivo pela última vez», referiu.

O próprio Bill Richard perdeu parte da capacidade auditiva. «Mas ainda posso ouvir-vos, ainda posso ouvir música e ainda posso ouvir as lindas vozes da minha família», concluiu.