O advogado de Salah Abdeslam afirmou que o suspeito dos atentados de Paris vai recusar a extradição, pedida por França. Sven Mary disse, em declarações aos jornalistas este sábado, que Abdeslam está a cooperar com as autoridades da Bélgica.

“Ele está a cooperar com a justiça belga. França pede a sua extradição. Posso dizer-vos que ele vai recusar a extradição para França.”

Salah Abdeslam já foi formalmente acusado pelas autoridades belgas de homicídio terrorista. Procurador do Ministério Público belga revelou aos jornalistas, numa conferência de imprensa, que este planeava explodir-se no Estádio de França mas recuou nessa intenção.

O suspeito, que foi ferido durante a operação policial de sexta-feira, saiu hoje de manhã do hospital Saint-Pierre, segundo as autoridades locais. Além de Salah Abdeslam, saiu também do hospital em Bruxelas um dos seus alegados cúmplices.

O destino dos dois homens não foi revelado pelo presidente da câmara de Bruxelas, Yvan Mayeur, que divulgou a informação da alta hospitalar de Salah Abdeslam na sua conta do Twitter.

Salah Abdeslam foi capturado esta sexta-feira, durante uma mega operação em Bruxelas de combate ao terrorismo e após quatro meses em fuga.

O suspeito em fuga dos atentados de Paris foi detido às 16:40 locais (menos uma hora em Portugal continental) e devido a ferimentos numa perna foi transportado para o hospital Saint-Pierre em Bruxelas.

No total da operação, que foi dada como concluída às 20:30 locais, foram detidas cinco pessoas (e não três como diria antes o primeiro-ministro), três delas membros da mesma família que escondeu Salah Abdeslam, e ainda Amine Choukri, cúmplice de Abdeslam, que também estava na lista dos serviços secretos.

Além destas cinco detenções, a Procuradoria belga confirmou a existência de pelo menos um fugitivo, Mohamed Abrini, que foi filmado junto de Salah Abdeslam antes dos atentados numa estação de serviço nos arredores de Paris.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, considerou a detenção de Salah Abdeslam “um golpe importante para a organização terrorista Estado Islâmico na Europa”.  

O governante, que falou no final de um Conselho de Defesa no Palácio Eliseu, afirmou ainda que “Salah Abdeslam deve responder pelas suas ações perante os tribunais franceses".