Um grupo de manifestantes da extrema-direita "invadiu", ao início da tarde deste domingo, a Praça da Bolsa, que tem servido de local de homenagem às vítimas dos atentados de terça-feira. 

Os nacionalistas, muitos de cara tapada, passaram por cima de muitas flores e objetos, colocados na praça, em homenagem às vítimas. A imprensa belga fala num grupo da extrema-direita oriundo de Vilvorde, na Flandres, constituído várias centenas de elementos. 

Cerca das 15:30 (14:30 em Lisboa), o grupo aproximou-se da zona fechada à circulação e foi desmobilizado pelas autoridades belgas, disparando canhões de água sobre aqueles elementos, de cabelo curto e vestidos de negro, sem qualquer símbolo partidário. O grupo, por seu turno, atirou latas de cerveja e garrafas contra as pessoas que já estavam no local, em homenagem às vítimas dos atentados. A RTBF estima que na praça estivessem entre 500 a mil populares. 

A polícia de choque posicionou-se imediatamente. Vários cordões de agentes da autoridades, apoiados por dois canhões de água, que vieram a ser acionados para dispersar os "hooligans". As ruas em redor da praça foram cortadas. 

O grupo desafiou a polícia e quem aqui se manifestava de forma pacífica, como relatou a repórter da TVI, Margarida Martins, e mostrou o repórter de imagem, Miguel Bretiano

"Os fascistas é que são terroristas", "não quero fascistas no meu bairro", foram algumas das palavras de ordem das pessoas contra um grupo de elementos vestidos de preto que se aproximou das baias de proteção da zona da Bolsa, onde surgiu um memorial espontâneo de homenagem às vítimas dos atentados de terça-feira.

 

"Hooligans" seguiram para a marcha contra o medo

O grupo foi empurrado pelas autoridades em direção à Gare do Norte e, no caminho, cometeram pequenos atos de vandalismo, derrubando vasos e caixotes de lixo. Este grupo chegou precisamente por Bruxelas-Norte. O autarca de Vilvorde estava ao corrente de dois grupos de adeptos de diversos clubes de futebol, que este domingo rumaram a Bruxelas. Um grupo de 300 e outro de 150.

O autarca explicou, segundo a RTBF, que impedi-los de seguirem viagem provocaria "frustação". Por isso, a viagem foi supervisionada pela polícia de Vilvorde e avisada a polícia de Bruxelas. Hans Bonte admitiu entretanto, que eles, afinal, "só queriam provocar". 

Para este domingo esteve prevista uma marcha contra o medo, que foi adiada, precisamente por questões de segurança, mas a população e turistas continuaram a dirigir-se para o local onde estão depositadas flores, velas e mensagens em prol da paz.