Os ministros do Interior e da Justiça belga, Jan Jambon e Koen Geens, apresentaram, esta quinta-feira, as demissões ao primeiro-ministro Charles Michel, mas este não aceitou, apontando a necessidade de coesão e união para lidar com o problema do terrorismo, na sequência dos atentados que fizeram 31 mortos e deixaram mais de 200 feridos em Bruxelas. 

Ministros terão pedido para sair dos cargos devido aos "presumíveis erros" na condução do dossier sobre terrorismo, acrescenta o meio de comunicação belga. Os líderes parlamentares também estão a ponderar uma comissão de inquérito aos ataques de 22 de março. 

O governo belga reuniu-se esta quinta-feira para discutir o caso de Ibrahim El Bakraoui, um dos bombistas suicidas do aeroporto que foi detido e deportado da Turquia e as autoridades belgas e holandesas avisadas das suas ligações ao terrorismo.

Foi o próprio presidente turco que confirmou esta informação. 

Apesar dos nossos avisos que esta pessoa era um terrorista, as autoridades belgas não conseguiram identificar uma ligação ao terrorismo", disse Erdogan numa conferência de imprensa em Ancara, na quarta-feira. 

Ibrahim El Bakraoui foi detido na localidade de Gaziantep, junto à fronteira turca com a Síria, e deportado da Turquia, em junho. A informação foi revelada esta quarta-feira pelo presidente turco Tayyip Erdogan. 

O homem, identificado como Ibrahim El Bakraoui, cidadão belga, foi deportado para a Holanda - a seu pedido (como cidadão da UE tem direito a escolher o país para onde quer ir) - com o conhecimento das autoridades belgas, que, segundo a presidência da Turquia, terão ignorado os avisos sobre o facto de o homem poder ser um jihadista do Estado Islâmico, segundo avançou a agência Reuters.

Fonte oficial turca corrigiu a informação esta quinta-feira, em declarações à Reuters. Ibrahim El Bakraoui foi deportado não uma, mas duas vezes. A segunda em agosto de 2015. 

 Segundo a AFP, o ministro da Justiça belga disse, em sua defesa, que estava ocorrente da deportação para a Holanda, mas rejeitou as afirmações de Erdogan quanto aos avisos emitidos pela Turquia quanto a Ibrahim El Bakraoui.

"Na altura ele não era procurado por terrorismo. [Foi detido] e ficou sob liberdade condicional. Quando ele foi enviado de volta, foi para a Holanda, não para a Bélgica. Isto é o que eu sei [pelo Departamento da Justiça]. Definitivamente não se tratou de uma extradição. Isto foi algo diferente. Foi um caso de alguém enviado a partir da fronteira com a Síria, alguém que na altura não era suspeito de terrorismo", disse Geens ao canal VRT.