A ministra belga dos Transportes, Jacqueline Galant, demitiu-se na quinta-feira depois de ter sido acusada pela oposição de ser negligente na segurança dos aeroportos belgas. A demissão foi aceite esta sexta-feira pelo Palácio Real, três semanas após os atentados de Bruxelas, em que morreram 35 pessoas.

 

“Sua majestade, o Rei, aceitou hoje a demissão da senhora Jacqueline Galant, ministra da Mobilidade, responsável pela BelgoControl e pela segurança da Sociedade Nacional dos caminhos-de-ferro”, lê-se no comunicado do Palácio Real.

Em conferência de imprensa, Jacqueline Galant afirmou que "já não podia trabalhar com serenidade" e manifestou-se chocada com a renúncia do diretor do Serviço Federal de Mobilidade, Laurent Ledoux.

"Esta combinação fez acreditar que eu fui laxista, o que me magoou profundamente. Eu sempre acreditei na nobreza da política e é o interesse do cidadão que prevalece", afirmou a ministra demissionária para justificar a saída.

De acordo com a AFP, Jacqueline Galant foi acusada de ter negligenciado “falhas graves” em matéria de segurança nos aeroportos da Bélgica.

A posição da ministra ficou fragilizada após negar ter recebido um relatório da Comissão Europeia a indicar que desde abril de 2015 os serviços belgas não dispunham de meios financeiros suficientes para efetuar os controlos devidos nos aeroportos.

 

Jacqueline Galant foi ainda posta em causa pelo presidente do Serviço Público Federal de Mobilidade, que tal como a ministra também apresentou a demissão na quinta-feira.

Laurent Ledoux revelou ter alertado o gabinete da ministra para o problema e garantiu ter reclamado em vão os meios suplementares para garantir a segurança dos aeroportos.

“Vou fazer o que deveria ter feito diretamente há muito tempo: assumir as responsabilidades e afastar-me. A situação é insustentável. A forma como a senhora Galant admninistra os processos coloca-nos contra a parede”, afirmou Ledoux à RT.