O ex-basquetebolista internacional Sébastien Bellin não sabe como conseguiu sobreviver aos atentados de Bruxelas, dada a gravidade dos ferimentos que sofreu. Numa entrevista à CNN, no hospital da capital belga onde permanece internado, o antigo atleta recordou os momentos de horror que viveu há precisamente uma semana.

“Tudo apontava para que não conseguisse sobreviver. Tudo, desde a quantidade de sangue que perdi nas pernas.”

A fotografia de Sébastien Bellin, ensanguentado e caído no chão, logo após as explosões no aeroporto de Zaventem correu o mundo, tornando-se numa das imagens icónicas dos atentados que abalaram o coração da Europa. O ex-basquetebolista da seleção belga recordou agora, em declarações à CNN, como viveu os momentos dramáticos que estão por detrás desta fotografia.

Foi logo depois do funcionário da companhia aérea em que ia voar lhe ter desejado um bom voo. De repente, ouviu um som estrondoso: uma bomba tinha explodido muito perto.

Lembra que a sua primeira reação foi querer correr dali para fora. Mas, instantes depois, percebeu que isso não ia ser possível. Estava caído no chão, sem se conseguir levantar. Perdia muito sangue.

“A primeira coisa que vi foi que uma parte da minha anca tinha desaparecido. Parecia que tinha sido perfurado por alguma coisa.”

Bellin foi ajudado por um desconhecido, que lhe levantou as pernas e pousou-as numa mala de viagem. O objetivo era minimizar a perda de sangue enquanto os paramédicos não chegavam. Gritava de dores. "As minhas pernas não acompanhavam [os movimentos]."

Os atentados de Bruxelas provocaram pelo menos 35 mortos. Bellin sobreviveu. É certo que irá passar os próximos meses numa cadeira de rodas, terá de fazer muita fisioterapia para poder voltar a andar e a recuperação pode ser lenta. Mas Bellin sobreviveu. E por estes dias, no quarto de hospital cheio de fotografias e desenhos dos filhos, há uma questão que o persegue: “Por que sobrevi?”.

“Não me sinto mal. Sinto-me orgulhoso por ter superado [a tragédia]. Mas por que é que eu consegui e outros não?”