Henrique Vicente trabalha no edifício em cima da estação de metropolitano de Maalbeek e preparava-se para ir trabalhar quando soube, pelo jornal The Guardian, das explosões no aeroporto que o levaram a já não sair de casa.

Eventualmente, fui salvo pelo The Guardian", contou à Lusa o funcionário da Direção Geral da Agricultura da Comissão Europeia que costuma apanhar o metro por volta das 8:45, esta terça-feira, o dia não deveria ser diferente.

“Normalmente vou àquela hora. E hoje ia de certeza porque estava a sair de casa às 8:45. Normalmente a viagem demora cerca de 20 minutos”, recorda o português Henrique Vicente.

Tinham passado precisamente 45 minutos desde as duas explosões registadas na zona das partidas do aeroporto de Zaventem quando Henrique Vicente recebeu uma notificação do jornal britânico e decidiu já não sair de casa.

Pouco depois das 9:00 horas registaram-se novas explosões, desta vez no metro de Maelbeek.

Eu não ia naquele metro em direção a Maalbeek exatamente à hora do ataque porque recebi uma notificação do The Guardian a anunciar as explosões no aeroporto. Foi essa notificação que me levou a tomar a decisão de não sair de casa. Pelo que eventualmente fui salvo pelo The Guardian, contou à Lusa.

Nas primeiras horas após os atentados, a sua maior preocupação fui avisar familiares e amigos de que se encontrava bem.

Depois começou a tentar contactar colegas de trabalho que vivem em Bruxelas para confirmar que estavam todos bem. Com as comunicações telefónicas muito congestionadas, foi principalmente através de aplicações na internet que foi sabendo que estavam todos bem, apesar de alguns “terem sentido a explosão”.

“O meu edifício fica mesmo por cima da estação”, contou Henrique Vicente, que trabalha no edifício da Comissão Europeia, onde está instalada a Direção-Geral de Agricultura, que fica sobre a estação de Maalbeek.

Segundo o último balanço provisório das autoridades, pelo menos 34 pessoas morreram e perto de duas centenas ficaram feridas nas explosões no aeroporto Zaventem e na estação de metro de Maelbeek.

Outra portuguesa escapou aos atentados depois de ter decido sair mais tarde de casa para o trabalho. Maria Luísa Rodrigues estava a sair de casa quando se deu uma das explosões. 

Até ao momento, segundo o secretário de Estado português das Comunidades, apenas uma portuguesa de 30 anos ficou ferida na explosão ocorrida na estação de metro.

Na cidade, as lojas estão encerradas, as crianças que tinham ido para a escola só irão para casa ao final do dia, já que as autoridades pedem a todos que não saiam de casa ou do trabalho.

Arrepiante. Só agora começo a tomar consciência”, desabafou Henrique Vicente.