Pelo menos 37 pessoas morreram, a maior parte turistas europeus, e 36 ficaram feridas, nesta sexta-feira, na sequência de um ataque a dois hotéis na zona turística de Sousse, no sul da Tunísia. A confirmação chega do Ministério da Saúde, depois de o Ministério do Interior ter tomado conta dos primeiros balanços.

Segundo o porta-voz do Ministério do Interior tratou-se de "um ataque terrorista contra o hotel internacional Marhaba, em Sousse", disse Mohamed Ali Aroui, à televisão nacional.

A rádio tunisina Mosaique FM avança que a maior parte das vítimas mortais são de nacionalidade alemã e britânica, mas há também belgas, russos e tunisinos.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, disse esta tarde à TVI24 que "é imprevisível" saber se existem portugueses entre as vítimas. 

"Não há informações. Temos estado em contacto com as embaixadas. É imprevisível. Até ao momento não temos informações",  disse o secretário de Estado.

O hotel RIU Imperial Marhaba pertence à cadeia espanhola RIU e está situado no enclave turístico de Port Kantaoui, na cidade de Sousse.

Segundo o porta-voz governamental, dois atiradores abriram fogo na praia privada do Marhaba, numa altura em que muitos turistas se encontravam no areal. A Mosaique FM noticia que os atacantes estariam armados com Kalashnikov e que abriram fogo indiscriminadamente na praia e no "lobby" daquela unidade.

Fonte de segurança disse à Reuters que pelo menos um atirador foi morto e que um outro está em fuga. Foram, entretanto, detidos dois suspeitos. Alguns meios de comunicação dão também conta da detenção do atirador que estava a monte, mas a notícia carece de confirmação oficial.

Em declarações à rádio Mosaique FM, o secretário de Estado do Interior, Rafik Chelli, revelou que o terrorista morto é um jovem estudante de Kairouan, conhecida como a "cidade das 50 mesquitas", a 58 quilómetros de Sousse.

O governante contou que o jovem abatido pelos seguranças do hotel desembarcou na praia com uma Kalachnikov escondida dentro do guarda-sol que transportava. Em seguida disparou sobre os turistas que ali se encontravam, mas foi rapidamente neutralizado e abatido.

Rafik Chelli explicou ainda que enquanto a operação de salvamento estiver em curso não é possível fazer um balanço final do número de vítimas. O chefe de Estado disse também que apesar de a Tunísia estar sob fortes medidas de segurança por ser o mês do Ramadão não foi possível evitar este ataque no terreno.

As força de segurança de Sousse detiveram, entretanto, na região de Qued Arouk, dois suspeitos de terem pactuado com os atiradores. 

O hotel Marhaba é popular entre turistas britânicos, noticia a SkyNews.  Testemunhas falam também numa explosão, além da troca de tiros, avançam os media.  O turista britânico David Schofield disse à SkyNews: "Ouvimos uma grande explosão. As pessoas estavam a correr por todo o lado."

A ministra tunisina do Turismo, Salma Elloumi, não tem dúvidas de que este ataque é uma "catástrofe" para a economia do país, que vai ressentir-se com as quebras no Turismo.

Neste momento, é conhecido o cancelamento de vários voos da Jetair, um deles em pleno ar, quando sobreava a Córsega. Os aviões vão partir vazios para a Tunísia apenas para repatriar as centenas de turistas belgas que ali se encontram de férias.

O ataque não foi ainda reivindicado.
 

Portugal condena atentado "cobarde"


O Presidente da República e Governo portugueses já condenaram este ataque terrorista. 

"Foi com profunda consternação que tomei conhecimento do trágico e cobarde atentado perpetrado hoje, em Sousse, o qual merece a nossa mais enérgica condenação e repúdio", lê-se numa mensagem enviada pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, ao seu homólogo tunisino, Béji Caïd Essebsi.

Um sentimento estendido aos ataques que ocorreram também em  França e no Koweit, todos esta sexta-feira, lê-se, por sua vez, numa mensagem do Ministério dos Negócios Estrangeiros, pugnando pela importância da cooperação internacional contra o terrorismo.

“Lamentando profundamente a perda de vidas, o Governo Português expressa aos Governos dos países afetados e às famílias das vítimas as suas mais sinceras condolências e a sua solidariedade”.