A polícia grega enfrentou mais de 20 mil manifestantes em Atenas, disparando gás lacrimogénio, enquanto durava a sessão do parlamento destinada a aprovar mais medidas restritivas, prescritas pelos credores internacionais da Grécia.

De acordo com a agência noticiosa Reuters, mais de dez mil pessoas manifestaram-se frente ao parlamento grego, com arremesso de garrafas com gasolina e pedras contra o cordão policial que tentou isolar a zona.

O parlamento acabou por aprovar mais medidas de austeridade, que irão permitir à Grécia receber novas ajudas financeiras de instituições internacionais.

Os deputados aprovaram um pacote a nível fiscal, energético e laboral que decorre das exigências dos credores internacionais.

Segundo a agência Reuters, as medidas foram aprovadas por 154 dos 300 deputados.

Mais 6,5 mil milhões de euros

O pacote de reformas aprovado pelo parlamento grego foi acordado entre o governo e as entidades credoras, em troca da nova parcela do resgate financeiro de cerca de 6,5 mil milhões de euros.

A lei, com cerca de 400 artigos e mais de 1.500 páginas, foi aprovada com os votos a favor da coligação governamental, enquanto os partidos da oposição votaram contra.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, centrou sua intervenção na necessidade de se olhar para o período de pós-resgate e na "recuperação das feridas da crise na sociedade".

Entre as medidas que geraram maioria oposição inclui-se o endurecimento das condições para a convocação de greves a nível local, a criação de um sistema eletrónico para as execuções hipotecárias, e uma reforma nos subsídios familiares.

Com a aprovação das novas leis, as assembleias que antecedam a convocação de uma greve deverão garantir nas representações sindicais locais uma participação mínima de 50% dos filiados (até agora era de 20%).

Tsipras referiu que “é mentira” que este facto pretenda abolir o direito à greve, denunciado pelos sindicatos.

A oposição também criticou a introdução de um sistema eletrónico para execução de hipotecas, uma medida que, na sua opinião, não protege suficientemente a primeira casa.

Outro dos pilares deste pacote de reformas é o aumento das ajudas económicas por filho. Até agora, os subsídios só eram concedidos a famílias com mais de três filhos, independentemente da sua renda.

A nova lei estabelece o apoio logo a partir do primeiro filho, mas dependente da renda.