atentados de Paris

 

Mas, dos ataques ao coração da França, emergem agora também notícias de quem deu a vida para salvar outros, de quem colocou a vida em risco para socorrer feridos ou de quem teve o sangue-frio suficiente para agir e impedir suspeitos de matar mais gente. São cidadãos anónimos que se tornaram heróis acidentais.

 

A porteira portuguesa que ajudou feridos do Bataclan

Margarida de Santos Sousa, porteira num prédio mesmo ao lado do Bataclan recebeu em casa cerca de 15 sobreviventes e socorreu cinco feridos, um em estado grave. 

“Aqui, nas escadas e num apartamento do quarto andar [acolhemos] à volta de 60 pessoas. Aleijadas e com balas tínhamos cinco pessoas, uma em estado muito grave, que foi a menina que estava com duas balas aqui”, contou a porteira à jornalista da agência Lusa, Carina Branco. 

Margarida não falou de ato heróico, apesar de talvez ter salvado a vida da rapariga, que tinha duas balas nas costas, quando pediu a uma médica do prédio para a vir socorrer.

 

O polícia que abateu um terrorista

O Le Parisien conta a história do comissário de polícia e do seu motorista que entraram no Bataclan quando todos tentavam fugir de lá, logo após o tiroteio. Depararam-se com um dos terroristas, que abriu fogo contra eles, mas os dois homens conseguiram abrigar-se e não foram atingidos.

Em resposta, o comissário disparou e atingiu um dos terroristas, que estava equipado com um cinto de explosivos.

 

Ludvic morreu para salvar uma mulher no La Belle Equipe

Nascido no Congo e criado em Lille, Ludovic Boumbas, de 40 anos, foi atingido quando se colocou entre a arma de um dos terroristas e uma mulher.

 

De acordo com o Libération, Ludovic, celebrava com um grupo de amigos o aniversário de um deles, no La Belle Equipe. Trabalhava na transportadora Fedex.

 

Bruno, o homem a quem Edith agradece a vida

Clément e Edith assistiam ao concerto dos Eagles oh Death Metal, quando os terroristas iniciaram a matança no Bataclan. No meio da confusão um homem esconde Edith debaixo das cadeiras da casa de espetáculos e protege-a com o próprio corpo.

 

O marido de Edith quis agradecer-lhe e postou uma mensagem no Facebook a procurá-lo.

 

“Um homem salvou a vida da minha mulher ontem, no Bataclan, escondendo-a debaixo das cadeiras e protegendo-a com o próprio corpo. (…) Ele não a conhecia. Chama-se Bruno e nós gostaríamos de lhe agradecer”, dizia o post de Clément, cujo nome de perfil é Picolo Clem.

O post tornou-se viral e foi partilhada quase 11 mil vezes. E Bruno foi encontrado. A história é contada pela Paris Match. Clement agradeceu ao milhares de internautas que partilharam o post: “Encontrámo-lo. Obrigado a todos. Só nos resta agora ir beber um copo juntos”, escreveu Picolo Clem.

 

Isabelle, a mulher que socorreu Ludvic

Isabelle recebia os amigos em casa, na rua Voltaire, a poucos metros do Bataclan, quando os tiroteios começaram. Quando foi à janela ver o que se passava, avistou “um homem ferido que segurava o ventre”. Decidiu descer e trazê-lo para dentro do hall de entrada do apartamento, colocando-o em segurança.

 

Enquanto foi a casa buscar compressas e panos para estancar as hemorragias do ferido, Isabelle avisou os serviços de socorro da presença de um ferido no prédio. Minutos mais tarde, Ludvic era encaminhado para o hospital.

 

O homem que segurou a mão de Mathilde

Mathilde foi uma das pessoas feridas num dos sete ataques de sexta-feira em Paris. Um dos seus familiares colocou no Facebook um post de agradecimento a Michael, o homem que lhe segurou a mão enquanto esperava por socorro.

 

“Ela adorava revê-lo e precisa de força neste momento. Chama-se Michael e trabalha na Ópera.

De acordo com a FranceTV Info, que conta a história, o herói já foi encontrado.